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10/12/2009 - 20h05

Para Bachelet, Chile não pode reproduzir 'horrores' da ditadura

ANSA
SANTIAGO DO CHILE, 10 DEZ (ANSA) - A presidente do Chile, Michelle Bachelet, disse hoje esperar que "nunca mais" sejam produzidos os "horrores" e as violações dos direitos humanos da ditadura que governou o país entre 1973 e 1990, sob o comando do general Augusto Pinochet.

"Como foi possível que o Chile se jogasse nesse abismo, com a perda das liberdades e a derrubada do Estado de Direito?", questionou ela, que participou de um ato por ocasião do Dia Internacional dos Direitos Humanos.

A celebração foi realizada na cidade rural de Lonquén, onde, em 1978, foram encontrados os ossos de 15 camponeses detidos e assassinados por policiais.

A ditadura chilena foi uma das mais violentas da América Latina e deixou mais de 3.000 mortos e desaparecidos. Além disso, centenas de pessoas partiram para o exílio.

A própria presidente chegou a ser detida e torturada pelo regime, em 1975. Seu pai, Alberto Bachelet, que era general da Força Aérea, morreu um ano antes, depois de também ser torturado.

Bachelet chamou ainda a atenção para a necessidade de descobrir a verdade, "ainda que tenham se passado muitos anos", e se disse surpresa ao "saber até onde pôde chegar a crueldade e a brutalidade em nosso país".

"Graças à consolidação das instituições democráticas, o país pode iluminar esse obscuro período de nossa história", afirmou.

Bachelet citou nesta quinta-feira dois casos de crimes cometidos durante a ditadura militar que foram retomados em 2009: do cantor Víctor Jara e do ex-presidente Eduardo Frei Montalva, pai de Eduardo Frei, candidato governista nas eleições presidenciais deste domingo.

"Pudemos finalmente enterrar Víctor Jara como era merecido, com a homenagem de tantas gerações", disse ela, e também ouvir "nesta semana que um juiz da República chegou à conclusão de que a morte do ex-presidente Frei Montalva, em 1982, foi um homicídio".

Os restos de Jara foram enterrados no último dia 5. O cantor foi assassinado em 16 de setembro de 1973, ainda nos primeiros dias da ditadura.

Em relação ao ex-presidente Frei Montalva, o magistrado Alejandro Madrid confirmou na última segunda-feira que ele foi vítima de envenenamento, no qual estiveram envolvidos quatro médicos, um agente da polícia secreta da época e um motorista do ex-governante.

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