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12/12/2009 - 13h01

Para especialista, oposição chilena se beneficia de distanciamento de Pinochet

ANSA
Por VITOR LOUREIRO SION

SÃO PAULO, 12 DEZ (ANSA) - O bom desempenho da oposição chilena nas pesquisas para as eleições presidenciais de amanhã é também resultado da tentativa de se distanciar da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990). A opinião é do professor de Relações Internacionais da Universidade São Paulo (USP) José Augusto Guilhon Albuquerque.

"Há algum tempo, a oposição chilena tem se tornado cada vez mais forte e competitiva. A direita está caminhando para o centro e não está mais sendo lembrada como golpista", afirma o especialista à ANSA.

Nas primeiras eleições presidenciais realizadas após a morte do general Pinochet, que faleceu em 2006, o empresário Sebastián Piñera, da Coalizão pela Mudança, surge como favorito e poderá levar pela primeira vez a oposição ao poder após 20 anos de governos da Concertación.

De acordo com as pesquisas de intenção de voto, Piñera deverá receber amanhã cerca de 40% dos sufrágios, o que lhe garantiria a passagem ao segundo turno. Desde 1990 -- ano em que terminou a ditadura de Pinochet -- quando Patrício Aylwin chegou à presidência, o Chile é governado pela aliança de centro-esquerda.

Aylwin foi sucedido por Eduardo Frei, que permaneceu no cargo até 2000 e é o candidato da Concertación nas atuais eleições. Posteriormente, a coalizão conseguiu ainda eleger Ricardo Lagos (2000-2006) e a atual mandatária, Michelle Bachelet.

Porém, apenas Lagos e Bachelet foram obrigados a disputar o segundo turno, o que para Guilhon Albuquerque já seria um dos indicativos do fortalecimento da oposição.

"Nas duas últimas décadas, a política chilena conviveu com essa polarização automática entre a Concertación e uma ala mais conservadora", explica.

Tullo Vigevani, professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp), ressalta o fato de mais de uma candidatura de políticos que estiveram ligados à Concertación terem sido lançadas como algo que prejudica as pretensões de Frei.

"Centristas e conservadores sempre tiveram força no Chile. Além disso, há uma divisão na aliança que dá sustentação ao candidato governista", afirma.

Frei, que está em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto, com cerca de 30% de respaldo, tem a seu lado a presidente Michelle Bachelet, mas é seguido de perto pelo deputado Marco Enríquez-Ominami, um dissidente da Concertación que pode ter atraído parte dos votos que naturalmente iriam para o governista. Ominami é hoje a opção de cerca de 20% dos eleitores chilenos.

Há também a candidatura de Jorge Arrate, do pacto de esquerda "Juntos Podemos Mais", que detém cerca de 7% das preferências. "Com certeza, a esquerda se enfraqueceu com a divisão", opina Guilhon Albuquerque.

Brasil Para os especialistas ouvidos pela ANSA, uma possível de vitória de Piñera não alteraria as relações bilaterais com o Brasil.

"Um novo governo não significará modificações importantes na América Latina. Apesar de praticar uma política baseada em tratados de livre comércio, como o que assinou com os Estados Unidos, o Chile se mantém bastante inserido no Cone Sul, com intensa relação com seus vizinhos, em especial Brasil e Argentina", analisa Vigevani.

Já Guilhon Albuquerque aponta outras razões para que a jornada eleitoral deste domingo não influencie o Brasil diretamente, já que, segundo ele, Chile e México foram relegados ao segundo plano pela política externa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"Ainda é cedo para dizer, porque estamos falando de expectativas e tudo pode acontecer em um possível segundo turno. Mas, no governo Lula, a relação diplomática entre Chile e Brasil é de baixa prioridade, e por isso não vai mudar muita coisa", pondera.

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