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17/12/2009 - 14h09

Uruguai: Futuro chanceler diz que governo eleito não fará mudanças bruscas

ANSA
MONTEVIDÉU, 17 DEZ (ANSA) - O próximo governo do Uruguai, do presidente eleito José Mujica, manterá a aposta no Mercosul, tendo o Brasil como modelo, e estudará um possível ingresso na Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América (Alba).

De acordo com o futuro chanceler, Luis Almagro, a gestão de Mujica, que será iniciada em março de 2010, terá "as mesmas coordenadas que a atual", a cargo de Tabaré Vázquez que, assim como o mandatário eleito no último dia 29 de novembro, pertence à coalizão de esquerda Frente Ampla.

Também não haverá "mudanças bruscas" na política externa e no posicionamento do país sul-americano dentro do Mercosul. Quanto ao bloco econômico, o futuro ministro das Relações Exteriores promete uma "visão crítica e autocrítica do que está errado", como por exemplo a dupla tributação.

Em entrevista à revista Búsqueda, Almagro classificou como "impensável" uma mudança no status uruguaio junto ao Mercosul e afirmou que a entrada do país na Alba é uma proposta que demanda "muito estudo".

"Não é uma coisa para decidir em um mês ou dois meses, nem sequer em um ano", acrescentou o futuro chanceler.

Almagro também comentou que o Uruguai não fará parte do eixo bolivariano da América Latina -- formado por Cuba, Venezuela, Equador e Bolívia -- mas que isso não exclui que o país tenha "uma relação com esses países que faça parte de nossas prioridades".

Ele também citou o apoio financeiro concreto fornecido pela Venezuela, cujo presidente, Hugo Chávez, esteve no início do mês em Montevidéu para participar da 38ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul.

A Venezuela ainda aguarda a ratificação do protocolo de adesão ao bloco, que ainda não foi aprovado pelo Parlamento do Paraguai. Os outros três membros do organismo já sancionaram a solicitação. "Se há um país que foi generoso com o Uruguai, é a Venezuela", apontou Almagro.

O próximo chanceler também falou das recentes declarações de Mujica, que citou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como seu modelo de gestão e garantiu que ao final de seu mandato, a atuação de seu governo terá sido parecida com a do brasileiro. "O Brasil tem seu projeto e é o nosso modelo", reiterou Almagro.

Sobre o Irã, o futuro chanceler disse que o país governado por Mahmoud Ahmadinejad "foi e é importante para o Uruguai" sem modificar a posição da nação sul-americana na Agência Internacional de Energia Atômica em busca "da estabilidade e harmonia e de uma mitigação dos conflitos".

Em relação à China, Almagro explicou que as negociações devem ocorrer através do Mercosul e informou que a agenda externa do mecanismo está parada porque "nenhum bloco pode se dar ao luxo de não ter relação com os três principais blocos mundiais: Estados Unidos, China e Europa".

O Mercosul e a União Europeia pretendem avançar nas negociações por um acordo de cooperação comercial a partir do ano que vem, quando a Argentina assumir a presidência do grupo sul-americano, e a Espanha comandar o organismo europeu. As conversas sobre um tratado foram iniciadas há mais de uma década.

O chanceler de Mujica tem 46 anos, é advogado e diplomata de carreira e antes de aceitar integrar o gabinete do governo eleito era embaixador do Uruguai na China.

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