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20/12/2009 - 13h47

Governo de Israel reitera pedido por abertura de arquivos secretos de Pio XII

ANSA
JERUSALÉM e ROMA, 20 DEZ (ANSA) - O governo israelense reiterou hoje o seu pedido ao Vaticano pela abertura dos arquivos secretos do papa Pio XII, para que historiadores possam "avaliar" o comportamento de Eugenio Pacelli durante o Holocausto.

Eugenio Maria Giuseppe Giovanni Pacelli (nome de batismo de Pio XII) exerceu seu pontificado entre 1939 e 1958, e tem sua atuação questionada por sua suposta omissão durante a 2ª Guerra Mundial diante do genocídio cometido contra os judeus.

Desde ontem, após o papa Bento XVI o proclamar "venerável" por suas virtudes heróicas -- penúltimo passo para a conclusão do processo de beatificação de Pio XII -- comunidades e organismos judaicos voltaram a questionar o tema e reiteraram o pedido pela abertura dos arquivos do Vaticano.

"Em relação ao processo de canonização, se trata de um tema interno da Igreja Católica", disse hoje à ANSA o porta-voz da Chancelaria israelense, Igal Palmor, que afirmou que o governo de Israel não pretende interferir nesse processo.

Por outro lado, Palmor reiterou o pedido pela abertura dos arquivos, o que é "de enorme importância" para que os historiadores "tenham condições de determinar e avaliar o significado da ação [de Pio XII] na época", de analisar o seu papel durante o Shoah (Holocausto).

Já Iris Rosenberg, porta-voz do Memorial Yad Vashem -- localizado em Israel e dedicado às vítimas da perseguição nazista, lamentou a proclamação anunciada ontem. "É desagradável que o Vaticano o tenha elegido [venerável] antes que os documentos tenham sido postos à disposição dos pesquisadores".

"Pensamos que a Igreja havia decidido evitar os passos ulteriores até a abertura dos arquivos, permitindo aos estudiosos esclarecerem este controverso período da história da Igreja e das posições de Pio XII", explicou.

Logo após Bento XVI assinar o Decreto das Virtudes de Pio XII, representantes de comunidades judaicas na Itália também criticaram a decisão e recordaram que o acesso aos documentos de Pacelli ainda não foi liberado.

"Não esqueçamos também das deportações de judeus da Itália e, em particular, o trem de 1021 deportados, que partiu em 16 de outubro de 1943 em direção a Auschwitz [campo de concentração nazista], no silêncio de Pio XII", diz um trecho de uma nota divulgada por judeus que vivem no país europeu.

Argumentos do Vaticano

Durante a 2ª Guerra Mundial, Pio XII foi acusado de não se posicionar claramente contra o massacre de milhares de judeus. O Vaticano, por sua vez, nega essa acusação e argumenta que o então papa agia com "prudência", e que ajudou todos os que vieram a ele em busca de auxílio.

"Todos aqueles que se dirigiram a ele -- militares, prisioneiros, párocos que tiveram suas igrejas destruídas, professores que haviam perdido o trabalho -- receberam ajuda", disse recentemente o prefeito do Arquivo Secreto Vaticano, Dom Sergio Pagano.

O religioso esclareceu também que a abertura dos arquivos deverá ocorrer em alguns anos.

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