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23/12/2009 - 16h43

Em nota, Vaticano esclarece processo de beatificação de Pio XII

ANSA
CIDADE DO VATICANO, 23 DEZ (ANSA) - A Santa Sé informou hoje, por meio de uma nota, que a beatificação do papa Pio XII não ocorrerá junto com a do papa João Paulo II.

"O fato de o Decreto das Virtudes de João Paulo II e Pio XII terem sido promulgados no mesmo dia não significa uma junção das duas causas de agora em diante", explica o documento, assinado pelo porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi.

No último sábado, o papa Bento XVI assinou uma série de decretos, entre eles os que reconhecem as virtudes heroicas dos dois pontífices, fato que os eleva ao título de "venerável". Para que o processo seja concluído, porém, falta ainda a comprovação de milagres.

O comunicado é visto como um esclarecimento à comunidade judaica, que acusa Pio XII de ter se omitido diante do Holocausto no período em que comandou a Igreja Católica, entre 1939 e 1958.

"As duas causas são completamente independentes e cada uma seguirá seu próprio caminho. Não há nenhum motivo para se pensar em uma beatificação conjunta", disse Lombardi.

Desde o fim de semana, entidades judaicas e inclusive o governo israelense têm pedido esclarecimentos à Santa Sé sobre a beatificação de Pio XII, defendendo a abertura dos arquivos relacionados a seu pontificado para analisar qual foi a postura do papa durante a perseguição praticada pela Alemanha nazista.

Segundo o porta-voz do Vaticano, a assinatura do decreto "não deve ser lida como um ato hostil ao povo hebraico, e esperamos que não seja um obstáculo no caminho do diálogo entre o judaísmo e a Igreja Católica".

Sinagoga

A Santa Sé disse ainda desejar que a visita que o papa Bento XVI deve fazer à sinagoga de Roma no dia 17 de janeiro "seja uma oportunidade para reafirmar e consolidar com grande cordialidade estes vínculos de amizade e estima".

Tal visita, no entanto, está sendo questionada por parte da comunidade judaica devido justamente ao processo de beatificação de Pio XII.

"Não queremos complicar as relações já complexas entre o Vaticano, o Estado de Israel e a comunidade judaica italiana", declarou o diretor-geral do Rabinato de Israel, Oded Viner, em entrevista à Rádio Pública.

"Nós não vamos intervir nas decisões da Santa Sé, mas a questão é muito dolorosa para os judeus, em particular para os sobreviventes do Holocausto", complementou.

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