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03/01/2010 - 19h52

Na Venezuela, líder da oposição fala em lei para impedir Hugo Chávez de dar 'presentes'

ANSA
CARACAS, 3 JAN (ANSA) - O líder do partido de oposição venezuelano Primeiro Justiça, Julio Borges, anunciou que prepara um projeto de lei para proibir os "presentes" financeiros que o presidente do país, Hugo Chávez, dá a outras nações -- as cifras teriam alcançado US$ 8 bilhões em 2009.

Segundo Borges afirmou hoje em uma coletiva de imprensa, a proposta intenciona impedir que o atual mandatário, ou outro "no futuro", possa "presentear o dinheiro do povo a demais países".

O dirigente explicou que a oposição quer impulsionar o projeto após as próximas eleições parlamentares, marcadas para setembro, já que atualmente a maioria do Congresso é partidária de Chávez.

Borges exigiu que o mandatário "explique ao país em sua mensagem anual ante a Assembleia Nacional com que direito decidiu dar, só em 2009, US$ 8.352.288 em quase 50 presentes outorgados a uns 20 países do mundo".

"É um crime contra o povo que o presidente siga decidindo distribuir o dinheiro dos venezuelanos a outras nações, enquanto que a nós impõe mais impostos, dívida e maior custo de vida", assinalou o líder da oposição.

Entre os países beneficiados pelas ajudas internacionais venezuelanas em 2009 estariam a Bolívia, a Nicarágua e Cuba, com a construção de obras de infraestrutura, e o Uruguai, com a doação de uma clínica contra o câncer.

Borges também entregou uma carta onde estão contabilizados gastos de US$ 61,448 bilhões em ajudas a 38 nações latino-americanas, asiáticas, africanas e até mesmo aos Estados Unidos, onde Chávez mantém um programa de subsídio de gasolina em bairros pobres.

O presidente já negou anteriormente que as doações, investimentos e fornecimento de petróleo por bens e serviços a outros países sejam "presentes". Ele alega que se trata de solidariedade baseada em recursos "recuperados" através de maiores impostos a multinacionais petrolíferas.

"Há 100 anos a Venezuela começou a explorar petróleo e durante esses 100 anos deu-o de presente aos Estados Unidos. Agora não estamos presenteando nada, estamos compartilhando, como Cristo veio para partir o pão, e tirar da miséria as crianças de rua, os índios sem terra, os analfabetos. Isso é o que nós estamos fazendo, o resto não importa", enfatizou Chávez durante uma visita à Bolívia em 2007.

Desde sua chegada ao governo venezuelano, em 1999, o presidente aumentou o imposto sobre o petróleo de 33% para 50% e o valor dos royalties sobre o recurso mineral de 1% para 33%. Ele afirma que as medidas geraram recursos adicionais de "milhares de milhões de dólares".

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