UOL Notícias Notícias
 

16/01/2010 - 15h59

Chile-Eleições: Futuro presidente não mudará modelo econômico, diz analista

ANSA
SANTIAGO DO CHILE, 16 JAN (ANSA) - O Chile elegerá neste domingo o sucessor da presidente Michelle Bachelet, mas, independentemente do resultado, o modelo econômico de livre comércio adotado pela ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990), e que passou por reformas nos governos da Concertación, não deverá ser alterado. A opinião é do diretor da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), José Jara.

A manutenção do sistema consolidado há décadas é defendida tanto pelo programa de governo do candidato opositor, o empresário Sebastián Piñera, quanto pelas propostas do governista Eduardo Frei, da Concertación, que já ocupou o cargo entre 1994 e 2000.

"Desde a transição da ditadura para a democracia, a Concertación continuou com o modelo econômico, mas devolvendo aos cidadãos o que haviam perdido, por meio de reajustes para aposentados e promovendo o direito de acesso à saúde pública", disse Jara.

Piñeira, da Coalizão pela Mudança, teve como eixo de sua campanha a promessa de criação de um milhão de empregos como resposta à crise mundial. O candidato também garantiu que agirá com "pulso firme" no combate à criminalidade.

Para Jara, o opositor também tenta migrar da direita para o centro ao, por exemplo, defender os direitos civis dos homossexuais ou prometer dar continuidade às políticas de proteção social da atual presidente, Michelle Bachelet.

"[Piñera] é muito diferente do que a direita tradicional fez no Chile, o que lhe permite cruzar a linha e provavelmente captar alguns votos de centro e de gente menos politizada", avaliou o especialista, em entrevista à ANSA.

A bandeira da continuidade dos projetos de Bachelet, que conclui o mandato com uma aprovação recorde, superior a 80%, também foi levantada por Frei, da coalizão governista Concertación. Ele prometeu intensificar o programa de proteção social e aumentar o papel do Estado na economia.

Favorito nas pesquisas de intenção de voto, Piñera, por sua vez, contesta a ideia de contar com uma grande estrutura estatal. Durante sua campanha, ele afirmou que não é preciso um Estado "gigante e burocrático" que "faça mal ou que seja incapaz de fazer bem o que é preciso fazer".

Frei também quer mudanças no que chama de "relação assimétrica" entre patrões e funcionários, uma vez que no Chile apenas 10% dos trabalhadores são sindicalizados.

Vencedor do primeiro turno e apontado pelas pesquisas como favorito à sucessão presidencial, Piñera vê sua vitória ameaçada na reta final. Recente levantamento da empresa de consultoria Mori indicou que o opositor teria hoje 50,9% dos votos, contra 49,1% de Frei.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    15h29

    -0,93
    3,149
    Outras moedas
  • Bovespa

    15h33

    1,09
    68.715,73
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host