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16/01/2010 - 14h52

Chile-Eleições: Para secretário do PT, vitória de Piñera seria retrocesso

ANSA
SÃO PAULO, 16 JAN (ANSA) - O secretário de relações internacionais do PT, Valter Pomar, manifestou apoio ao candidato governista à presidência do Chile, Eduardo Frei, e afirmou que uma vitória do opositor Sebastián Piñera, neste domingo, imporia um retrocesso às políticas implementadas pela aliança de centro-esquerda Concertación, no poder desde 1990.

Em entrevista à ANSA, Pomar também descartou o início de um ciclo de restauração dos governos conservadores na América do Sul a partir de um eventual triunfo do empresário, um dos homens mais ricos do país e membro da conservadora Coalizão pela Mudança. O opositor, que venceu o primeiro turno com 44% dos votos, é apontado pelas pesquisas como favorito.

"Acredito que Eduardo Frei vencerá, principalmente graças ao apoio do eleitorado que no primeiro turno votou em outros candidatos", disse o secretário do PT. "Minha impressão é de que o próximo período será de grandes lutas sociais e políticas no Chile, o que contribuirá para bloquear esse tipo de retrocesso", complementou.

Na visão de Pomar, o que ocorre na política dos países sul-americanos "interage com a conjuntura" de toda a região. "No caso chileno, são quatro governos consecutivos [da Concertación], que adotaram uma política mais moderada do que a média", explicou.

Para ele, devido ao caráter comedido das sucessivas presidências da aliança de centro-esquerda, encabeçada pelo Partido Socialista e pelo Partido Democrata Cristão, o Chile se constitui, ao lado de Panamá e Honduras, em um dos "elos fracos da cadeia progressista latino-americana".

"A direita está atacando estes elos fracos, não apenas com o objetivo de conquistar tais governos, mas também para tentar reverter o ciclo", opinou.

Pomar afirmou que uma virada do conservadorismo na América do Sul só se confirmaria se, em novembro do ano passado, a oposição tivesse vencido as eleições presidenciais uruguaias com Luis Lacalle, do Partido Nacional. O futuro presidente, no entanto, será José Mujica, ex-guerrilheiro e histórico membro da coalizão Frente Ampla.

O secretário do PT ressaltou, além disso, que uma definição se dará no pleito presidencial do Brasil. "A batalha decisiva, para falar em inversão ou continuidade do ciclo, será a eleição brasileira de outubro de 2010", afirmou.

Diplomacia Para Valter Pomar, a continuidade da Concertación no poder, com Eduardo Frei, seria benéfica também para as relações diplomáticas com o Brasil.

Segundo ele, o governista seguirá com as principais linhas da gestão da atual presidente, Michelle Bachelet, que aposta na integração com os vizinhos e foi uma das principais entusiastas da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), surgida em 2008.

"Frei dará continuidade à política externa do governo Bachelet, que é favorável à Unasul", disse, acrescentando que "Piñera, ao contrário, será na melhor das hipóteses" como os governos dos presidentes da Colômbia, Álvaro Uribe, e do Peru, Alan García, "um freio de mão puxado, articulado com os interesses dos Estados Unidos".

Na opinião do secretário do PT, embora o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantenha relações pessoais em geral harmoniosas com outros líderes, no caso chileno uma "sintonia diplomática só existiria com Eduardo Frei".

Para o primeiro turno, ocorrido no dia 13 de dezembro, o PT se manteve neutro e não respaldou nenhum candidato, postura que mudou quando o resultado daquela votação reduziu a disputa a Frei, ao qual o partido expressou apoio, e Piñera.

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