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26/01/2010 - 17h11

Chile pode viver crise de representatividade, prevê analista

ANSA
SANTIAGO DO CHILE, 26 JAN (ANSA) - A diretora da Corporación Latinobarómetro, Marta Lagos, afirmou que o Chile poderá enfrentar uma "crise de representatividade", já que o futuro presidente, o opositor Sebastián Piñera, foi eleito com a menor quantidade de votos válidos desde que chegou ao fim a ditadura do general Augusto Pinochet, há 20 anos.

"Cada novo presidente se elege com menos votos. Em vez de aumentar, a quantidade de votos necessários para que um governante seja escolhido está diminuindo", alertou Lagos, em um artigo publicado pelo diário eletrônico El Mostrador.

Ao comparar os números, ela ressaltou que de um total de 12 milhões de eleitores potenciais, 5 milhões não foram às urnas no dia 17 de janeiro, quando ocorreu o segundo turno da sucessão presidencial.

"Cerca de 3,8 milhões não estão inscritos [no cadastro eleitoral] e 1,16 milhão de inscritos se abstiveram", ponderou. No Chile, o voto só é obrigatório para os cadastrados.

Considerando ainda os votos dados ao candidato derrotado, o governista Eduardo Frei, pode-se dizer, segundo Lagos, que "8,4 milhões de chilenos não votaram no novo presidente".

Piñera, que tem 60 anos, foi alçado ao poder com cerca de 3,6 milhões de votos (51,6% do total), contra 3,4 milhões de Frei. Ao todo, 8,2 milhões de chilenos estavam habilitados a participar do pleito.

Em 2005, a atual mandatária, Michelle Bachelet, venceu as eleições com pouco mais de 3,7 milhões de votos. Naquela ocasião, ela derrotou justamente seu substituto, Sebastián Piñera.

Marta Lagos reconheceu, ainda assim, que a oposição teve méritos ao obter o apoio que em disputas anteriores era dado a postulantes da aliança de centro-esquerda Concertación, que governa o Chile desde 1990.

Na opinião da diretora do Latinobarómetro, o resultado da sucessão indica também o fim de um ciclo de transição vivido pelo país, já que "o medo da direita" parece ter sido superado.

"A direita ganhou sua lua de mel", disse ela, mas será preciso demonstrar nesta nova etapa "se por acaso será como a velha direita ou se estamos diante de algo inesperado". Piñera tomará posse no dia 11 de março.

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