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09/02/2010 - 18h43

Unasul debate criação de fundo e medidas comerciais para beneficiar o Haiti

ANSA
QUITO, 9 FEV (ANSA) - Autoridades da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) se reuniram hoje em Quito, no Equador, e analisaram uma série de medidas que poderiam beneficiar a população do Haiti, país atingido por um forte terremoto no dia 12 de janeiro. Mais de 200 mil pessoas morreram.

Entre as principais ideias estão a criação de um fundo para direcionar auxílio financeiro à nação -- a mais pobre do Ocidente --, a eliminação de tarifas alfandegárias e a doação de insumos agrícolas.

O encontro, de caráter extraordinário, foi convocado pelo mandatário equatoriano, Rafael Correa, que esteve no Haiti em janeiro e exerce atualmente a presidência de turno da Unasul.

O presidente do Haiti, René Preval, participou como convidado. Em sua exposição, ele chamou a atenção para a necessidade de "remodelar" o país, que precisa deixar de ser tão dependente de sua capital, Porto Príncipe, devastada pelo tremor.

Segundo ele, para tanto seria preciso investir na agricultura e no desenvolvimento das áreas rurais.

"Deve-se criar um novo Haiti, e nem tudo pode estar situado em Porto Príncipe", disse Preval, para quem a remodelagem do país deve ser feita rapidamente. "Não fazer isso agora será um erro histórico, pelo qual não poderemos nos perdoar", ressaltou.

Quanto ao fundo de auxílio financeiro da Unasul, o valor total ainda não foi definido, mas poderia estar vinculado ao Produto Interno Bruto (PIB) ou ao número de habitantes de cada um dos 12 países que compõem o bloco.

Durante os debates, o presidente do Peru, Alan García, chegou a falar em US$ 100 milhões como aporte inicial. Ele também sugeriu solicitar ao Banco Interamericano de Desenvolvimento a liberação de um crédito de US$ 200 milhões.

Já a eliminação das tarifas de importação para o Haiti, sugestão do anfitrião Equador, foi prontamente apoiada pelos delegados de Peru e Argentina.

Outras autoridades presentes defenderam ainda o cancelamento da dívida externa do país.

Por sua vez, representantes de Colômbia, Brasil e Chile concordaram sobre a necessidade de elaborar um inventário -- tanto das demandas do Haiti como das possibilidades que cada país sul-americano tem de ajudar -- antes de determinar as ações concretas que serão implementadas.

Ainda no início dos debates, o presidente do Equador, Rafael Correa, ressaltou a importância de que o auxílio dado ao Haiti também sustente, no longo prazo, o desenvolvimento do país.

"Desenvolvimento é também um processo de acompanhamento, e esse deve ser o enfoque de nossa cooperação, acompanhar o Haiti em direção ao futuro", disse.

Para Correa, "a ajuda imediata e massiva" oferecida pelas nações mais ricas "nem sempre é a mais eficaz, pois desaparece no médio prazo e cria distorções".

Já o mandatário paraguaio, Fernando Lugo, propôs a formação de uma secretaria técnica, que reuniria especialistas da região com o objetivo de planejar as medidas que seriam adotadas para reconstruir o Haiti.

Ele também pediu ao bloco que aja com respeito "ao povo e ao governo do Haiti" e inspirado por uma "genuína solidariedade".

Além disso, sugeriu que a Unasul desenvolva instrumentos para que a região tenha como reagir de forma imediata a casos similares ao do Haiti. Neste sentido, propôs a formação de uma "brigada de solidariedade".

Representante da Venezuela, o chanceler Nicolás Maduro citou como prioridade a necessidade de assegurar a produção de alimentos, o que se daria mediante a constituição de uma "reserva" de suprimentos.

O funcionário lembrou que a Venezuela já doou ao país 7.000 toneladas de comida por meio da Aliança Bolivariana para as Américas (Alba), e que "ainda tem uma reserva de 4.500 toneladas para poder distribuir de maneira organizada".

Participaram da reunião da Unasul os presidentes de Equador, Colômbia, Paraguai e Peru, além do secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, e do mandatário haitiano, René Preval.

Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Guiana, Suriname, Uruguai e Venezuela mandaram representantes. Pelo Brasil esteve presente o assessor da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia.

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