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10/02/2010 - 12h43

Vaticano diz que não se pode tentar frear a imigração

ANSA
CIDADE DO VATICANO, 10 FEV (ANSA) - O presidente do Conselho Pontifício Justiça e Paz, cardeal Peter Turkson, disse hoje que a linha que separa as legislações restritivas e o racismo estão cada vez mais "sutis" na Europa.

Em entrevista à imprensa italiana, o religioso ganês explicou que esta proximidade tem a possibilidade de gerar "perigosos desequilíbrios" que poderiam condicionar também o futuro do "sul do mundo".

"Hoje na Europa considera-se a imigração somente como uma ameaça à integridade europeia, ao desenvolvimento, ao bem-estar, à segurança", comentou Turkson. "Com o perigo de que os 'estrangeiros' aprendam a fazer o mesmo", acrescentou.

Segundo ele, a adoção das leis limitantes tem origem na demografia. "Não quero dizer [que seja uma reação] 'paranoica' nem 'histérica', mas certamente preocupada. Por que se a população não aumenta e chegam 'outros' que crescem, pergunta-se: 'o que acontecerá amanhã?'", questionou o cardeal.

"Ao invés de apoiar o desenvolvimento demográfico, se fecha. Mas o ponto é que não se pode fazer uma nação sem população. E a população, se não se faz em laboratório, se faz com os homens. Também com os imigrantes", completou.

De acordo com Turkson, a vinda de estrangeiros não pode ser impedida, e as leis demasiadamente restritivas acabam por dar um mau exemplo aos imigrantes, que "voltam muito frequentemente à pátria com alguma amargura".

"E se depois tornam-se políticos, sobre quais princípios basearão a regulamentação da convivência, do confronto com outras populações?", perguntou o presidente do conselho pontifício.

O cardeal lembrou que a Igreja Católica fala de fraternidade humana, origem comum, único Deus pai, e deplora quem usa a fé como barreira entre os povos. "É um erro que trai a própria essência do Cristianismo" e a religião deve "fornecer os meios para superar as divisões", continuou.

Existe, no entanto, o risco de uma instrumentalização das crenças a partir da política. "Por séculos, não se discutiu a presença dos muçulmanos na Europa, e agora se faz referendos sobre seus minaretes", lamentou Turkson.

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