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11/02/2010 - 13h52

(Entrevista) Brasil deve apoiar reeleição de Insulza na OEA, dizem especialistas

ANSA
Por THIAGO BORGES

SÃO PAULO, 10 FEV (ANSA) - O Brasil deverá apoiar a reeleição do chileno José Miguel Insulza como secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA). A análise é do professor Pedro Bohomoletz de Abreu Dallari, do Instituto de Relações Internacionais da USP.

"Sinto que há um apoio que tende a se generalizar ao redor de Insulza", afirmou Dallari, em entrevista concedida à ANSA. "A tendência é que ele seja reeleito por unanimidade ou com um apoio muito expressivo".

O professor David Fleischer, do departamento de Ciências Políticas da UnB, opina na mesma linha. Para ele, "não haverá um grande impasse, e o Brasil deve apoiar a candidatura de Insulza".

A OEA realizará eleições para escolher seu secretário-geral no dia 24 de março. Três semanas antes, no entanto, os candidatos apresentarão propostas em uma reunião extraordinária do Conselho Permanente da entidade.

Por ora, somente Insulza está declaradamente na disputa. Segundo Dallari, sua gestão à frente da OEA, iniciada em 2005, esteve na maior parte do tempo em "sintonia" com posições da diplomacia brasileira.

O especialista mencionou três episódios em que o alinhamento ficou mais claro. "O primeiro é a questão de Cuba", lembrou, referindo-se à revogação da cláusula que mantém a ilha caribenha afastada do órgão desde 1962, fato ocorrido em junho.

Dallari destacou também a atuação da entidade no impasse entre Equador e Colômbia, que romperam relações em março de 2008, quando Bogotá bombardeou um acampamento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) situado em território equatoriano.

"A OEA interveio e o Brasil teve um papel importante. Houve total sintonia nos trabalhos de distensão", disse Dallari, que foi membro Comissão da OEA para a Missão de Bons Ofícios entre Equador e Colômbia.

Por fim, na visão do especialista, houve concordância entre o Itamaraty e a instituição multilateral na gestão da crise hondurenha, iniciada após o golpe de Estado de 28 de junho, que tirou do poder o presidente Manuel Zelaya.

A satisfação do Brasil com Insulza foi expressa pelo próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em julho de 2009, ao se reunir em São Paulo com sua colega chilena, Michelle Bachelet, ele disse que apoiaria a reeleição do atual titular da OEA.

No entanto, a controversa atuação do secretário-geral no conflito hondurenho -- na visão de alguns analistas, a OEA se impôs de forma decisiva no início da crise mas sua posição se enfraqueceu ao longo do processo -- poderia custar a ele uma perda de apoio de alguns países que já haviam se manifestado em seu favor.

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