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12/02/2010 - 20h53

Mujica enfrentará déficit fiscal e aumento da dívida, dizem especialistas

ANSA
MONTEVIDÉU, 12 FEV (ANSA) - O próximo presidente do Uruguai, José Mujica, que tomará posse no dia 1º de março, terá como alguns dos principais desafios de sua gestão um quadro fiscal deteriorado, o crescimento da dívida externa e a baixa do dólar, segundo especialistas ouvidos pela ANSA.

Para o ex-presidente do Banco Central Juan Carlos Protasi, a situação econômica vivida hoje pelo país é menos cômoda que a observada em 2005, quando tomou posse o atual presidente, Tabaré Vázquez, que a exemplo de Mujica integra a coalizão de esquerda Frente Ampla.

"Mujica vai enfrentar uma situação fiscal que não apresenta tanto espaço e graus de liberdade como quando assumiu Vázquez", disse ele.

"Em 2005, a economia estava em expansão forte e havia um nível baixo de gasto público, mas agora se inicia [um período] em um nível de gasto muito alto, no qual as finanças não permitem fazer uma política fiscal de caráter expansivo", explicou.

Em 2009, o déficit público do Uruguai foi de US$ 755,3 milhões, o que representa 2,1% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. Um dos fatores que mais colaborou para o resultado foi a elevação de despesas para a geração e a importação de energia elétrica, devido à estiagem que afetou o país.

Embora o PIB do Uruguai tenha registrado um avanço de 1,7% até o mês de setembro, Protasi lembrou que há "uma estrutura de preços relativos muito desfavoráveis para o crescimento, devido aos elevados ajustes salariais e à queda do dólar, que encareceu a produção doméstica a ponto de torná-la insustentável para alguns setores".

Já para o deputado Alfredo Asti, que integra a bancada governista e faz parte da Comissão da Fazenda da Câmara, apontar fatores internos para explicar a desvalorização da moeda norte-americana é relativo.

Em sua opinião, o quadro reflete o atual contexto internacional, e o preço do dólar "está adequado ao que os agentes econômicos observam da boa situação que vivemos".

Protasi chamou a atenção, no entanto, para outra questão importante: o crescimento da dívida externa, "que ronda os US$ 20 bilhões e seguirá aumentando".

"Se não houver uma mudança na política, vamos começar a observar que a dívida poderá gerar dúvidas sobre a solvência fiscal do país", ponderou.

Para o ex-presidente do BC, "o governo teria de economizar para poder comprar dólares, mas garantindo que a competitividade não seja afetada".

"Também deveriam conter os aumentos salariais, que dispararam e não têm qualquer relação com a produtividade no trabalho", argumentou.

Ao fazer projeções sobre o futuro da economia uruguaia e a necessidade de, para gerar crescimento, financiar as empresas do país, o presidente da Bolsa de Valores de Montevidéu, Angel Urraburu, sugeriu políticas de longo prazo que sejam "genuínas".

"Necessitamos de um maior grau de estruturação do crescimento, e que o mesmo chegue a mais setores da sociedade. Isso é dado pelo mercado de capitais", apontou.

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