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18/02/2010 - 11h33

Papa nega que roubar e mentir seja 'humano'

ANSA
CIDADE DO VATICANO, 18 FEV (ANSA) - O papa Bento XVI disse hoje durante um encontro com membros do clero de Roma que roubar e mentir são ações que não podem ser justificadas como uma fraqueza humana.

"Não se diga mais que 'mentiu, é humano; roubou, é humano", afirmou o Pontífice, falando de improviso no tradicional encontro que ocorre a cada início do período da Quaresma.

De acordo com o chefe máximo da Igreja Católica, "o verdadeiro ser humano" significa "ser generoso, buscar a justiça, a prudência, a sabedoria para ser a imagem de Deus", porque "o pecado não é nunca solidariedade, é sempre a falta de solidariedade".

Bento XVI explicou ainda que o sacerdote "deve ser homem, viver a verdadeira humanidade e o humanismo, ter a formação das virtudes, desenvolver sua inteligência, seus afetos", para que os que estiverem "feridos pelo pecado" "saiam do obscurantismo da própria natureza" com a ajuda de Cristo.

O Papa também discursou sobre a obediência, comentando que esta palavra "não agrada no nosso tempo" por ser lida "como uma imposição dos outros sobre nossa vontade". De acordo com ele, porém, esta condição está ligada à liberdade.

"A vontade de Deus não é tirânica, não está fora do nosso ser", afirmou o Pontífice, explicando que ignorar os desígnios sagrados é a real alienação. "A obediência a Deus é a verdadeira liberdade porque é a divinização do nosso ser", acrescentou.

Ainda na conversa com os sacerdotes romanos, Bento XVI comentou que o paganismo contribuiu para indicar a estrada para Deus ao lembrar da figura de Melquisedeque, presente no Antigo Testamento, que teria acolhido Abraão oferecendo-lhe pão e vinho.

"Melquisedeque é um dos santos pagãos antigos", recordou o Papa, e "nos mostra que também do paganismo prossegue o caminho até Cristo".

Visita

Também hoje a agência evangélica Nev lembrou da visita que o chefe de Estado do Vaticano fará a uma igreja luterana da capital italiana no próximo dia 14 de março, segundo anúncio anterior do presidente do Conselho Pontifício para a Unidade dos Cristãos, Walter Kasper.

"Ter entre nós o bispo de Roma [o Papa] nos parece um belo sinal para o ecumenismo na nossa cidade", declarou à agência o pastor da comunidade que receberá Bento XVI, Jens-Martin Kruse. Na ocasião, o Pontífice assistirá a um culto evangélico, previsto para começar às 17h30 (13h30 no horário de Brasília).

O convite foi feito pelos luteranos a Bento XVI em 2008, em comemoração aos 25 anos da visita de João Paulo II à igreja. O acontecimento comemorava os 500 anos de nascimento de Martin Lutero.

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