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18/02/2010 - 14h56

Política Externa do Uruguai priorizará as relações com Brasil e Argentina

ANSA
MONTEVIDÉU, 18 FEV (ANSA) - A futura administração do Uruguai, que assumirá no dia 1º de março, buscará aprofundar as relações com seus principais sócios, o Brasil e a Argentina, afirmou hoje o chanceler designado pelo governo eleito, Luis Almagro.

"Os sócios do Mercosul, especialmente Brasil e Argentina, são os principais sócios do Uruguai", declarou hoje Almagro, negando que as duas nações sejam "um empecilho". "O Uruguai obteve bons resultados comerciais muitas vezes apenas por ser vizinho do Brasil e da Argentina", analisou.

A postura do país em relação ao Mercosul -- integrado ainda por Paraguai e que tem a Venezuela em processo de incorporação -- foi um dos temas abordados na campanha para as eleições presidenciais, cujo governista José Mujica derrotou o opositor e ex-presidente do país Luis Lacalle no segundo turno do pleito.

Na época, Mujica, da coalizão Frente Ampla, declarou o fracasso do bloco, que estaria "manco e na miséria". Já Lacalle, do opositor Partido Nacional, criticou a institucionalização excessiva dos grupos regionais e disse que, caso vencesse, iria se opor a um "Mercosul político" porque "o Mercosul é uma associação econômica e comercial".

Apesar de reconhecer que o bloco regional está atualmente "estancado", Almagro admitiu que "é muito difícil de acreditar que os grandes mercados realizariam uma negociação bilateral com o Uruguai".

Ainda em relação à Argentina, nação com a qual o Uruguai vive uma de suas piores crises diplomáticas, Almagro se mostrou "otimista" sobre a sentença do Tribunal Internacional de Justiça, de Haia, cujo veredicto deve ser emitido ainda no primeiro semestre do ano. "Esperamos que o julgamento nos dê soluções práticas e jurídicas para resolver esse tema", apontou.

Buenos Aires e Montevidéu se enfrentam em Haia por divergências em relação à instalação de uma fábrica finlandesa de pasta de celulose na fronteira binacional, em 2007. Para o governo argentino, a implantação da companhia nas margens do rio Uruguai [divisa natural entre as nações], contraria um tratado internacional assinado por ambas nações.

Além disso, ambientalistas da cidade argentina de Gualeguaychú bloqueiam há mais de quatro anos a ponte internacional General San Martín, que liga os países, o que causa ainda prejuízos econômicos ao Uruguai.

Outros países

O futuro chefe da diplomacia uruguaia falou ainda que o governo de Mujica reiterará o apoio à posição da Organização dos Estados Americanos (OEA) no caso de Honduras, onde um golpe de Estado destituiu o então presidente, Manuel Zelaya, em junho de 2009, e as eleições presidenciais, realizadas sob regime de facto, não são reconhecidas por parte da comunidade internacional.

"O que temos agora é um golpe de Estado que tentou se esconder por trás de uma eleição", indicou Almagro, ratificando a posição que também é defendida pelo Brasil.

Sobre as prováveis viagens de Mujica, o ministro designado declarou que o presidente eleito já manifestou sua intenção de inaugurar sua agenda externa com uma ida à Bolívia, o que dependeria de "ajustes". Depois, ele deve ainda ir a Brasil e à Argentina.

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