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25/02/2010 - 09h43

Grã-Bretanha quer dialogar com Argentina sobre exploração nas Ilhas Malvinas

ANSA
LONDRES, 25 FEV (ANSA) - A Grã-Bretanha está disposta a dialogar e abrir negociações com a Argentina sobre a exploração de petróleo e gás nas águas das Ilhas Malvinas (Falkland), segundo publicou hoje o jornal Daily Telegraph.

De acordo com o subsecretário de Estado para as Relações Exteriores do país europeu, Chris Bryant, protestos contra a atuação britânica no arquipélago são desnecessários.

As palavras do funcionário se referem à reclamação histórica argentina de soberania das Malvinas, território britânico localizado no Atlântico Sul. As tensões entre os dois países se intensificaram nas últimas semanas devido à decisão do governo de Gordon Brown de começar a explorar petróleo e gás na região.

A ação contrariaria uma resolução da Organização das Nações Unidas (ONU), segundo a qual nada pode ser feito no arquipélago sem que haja concordância de ambas nações. Em resposta, a Argentina baixou um decreto exigindo que as embarcações que navegarem pela área adquiram uma licença especial.

Ontem, o chanceler do país sul-americano, Jorge Taiana, se reuniu com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, para tratar do assunto e pedir que a entidade interceda a seu favor. Além disso, o país conseguiu o apoio formal dos presidentes que participaram da XXI Cúpula do Grupo do Rio e da II Cúpula da América Latina e do Caribe (Calc), nesta segunda e terça-feira.

"Não podemos perder de vista o fato de que a Argentina e o Reino Unido são parceiros importantes. Temos um próximo e produtivo relacionamento em uma série de questões: no G20 [grupo dos países ricos e emergentes], em mudanças climáticas, desenvolvimento sustentável, combate à proliferação de armas", citou Bryant.

"Gostaríamos de adicionar os assuntos do Atlântico Sul à lista e trabalhar para desenvolver mais o relacionamento. Se isso puder ser feito, seria bom para todos os envolvidos", acrescentou o subsecretário de Estado.

Segundo o Daily Telegraph, fontes oficiais afirmaram que apesar de o governo estar disposto a conversar sobre a extração de hidrocarbonetos, não haverá concessões quanto à soberania do arquipélago.

O general britânico Peter de la Billiere, ex-comandante das tropas do país europeu e atual vice-presidente da Associação das Ilhas Malvinas, também falou sobre o tema e fez um alerta para que a Argentina não se bata militarmente contra o Reino Unido em busca da possessão do território.

De la Billiere se referiu à Guerra das Malvinas, conflito bélico mantido entre ambos países pelo domínio do território em 1982 e que terminou com a vitória britânica. "Nós não perdemos 255 vidas [na Guerra das Malvinas] apenas para desistir e ir embora alguns anos mais tarde", afirmou o general em entrevista publicada hoje no Daily Mail.

"Demonstramos nossa intenção de cumprir com os desejos dos ilhéus e apoiá-los se forem ameaçados", declarou o militar britânico. "Não consigo ver razão, justificativa ou vontade política no Reino Unido para fazer qualquer coisa além disso", acrescentou.

De acordo com o jornal, na noite passada o governo britânico sofreu pressão para adotar uma "linha mais dura" contra a Argentina, enquanto diplomatas "tentam varrer a crise para debaixo do tapete".

Ainda hoje, o tablóide The Sun informou que um navio argentino foi interceptado na região das Malvinas. A embarcação ARA Drummond estava inserida em dez milhas na área que contém reservas de hidrocarbonetos e é disputada pelos dois países. Fontes afirmaram ao jornal britânico que a tripulação cometeu um "erro inocente de navegação" e estava embaraçada.

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