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01/03/2010 - 15h41

Ao assumir a presidência, Mujica ressalta a importância da Am.Latina e do Mercosul

ANSA
MONTEVIDÉU, 1 MAR (ANSA) - O presidente do Uruguai, José Mujica, ao prestar juramento no Palácio Legislativo, pediu a continuidade de "uma pátria para todos", e antecipou uma "ortodoxa" macroeconomia com prioridade na agenda social e na educação, com uma aposta renovada pela América Latina e pelo Mercosul.

"Me comprometo por minha honra a desempenhar lealmente o cargo que me foi confiado e a defender a Constituição da República", disse Mujica, ao lado do vice-presidente do país, Danilo Astori, e da primeira-dama, que também preside a Assembleia Geral (Congresso).

Na cerimônia de Declaração de Fidelidade Constitucional, que antecede a cerimônia de transmissão da faixa presidencial, Mujica também agradeceu a todos os presentes e afirmou que irá fazer "tudo para cumprir" com seu mandato constitucional e "criar as condições para governar por 30 anos com políticas de Estado, tanto na educação quanto na segurança e na matriz energética".

"Nosso programa se resume em duas palavras: mais do mesmo. Vamos dar ao país cinco anos a mais de manipulação profissional da economia (...). Seremos sérios na administração dos gastos, na manipulação dos déficits, na política monetária e mais que sérios, cães [de guarda] na vigilância do sistema financeiro", afirmou Mujica em um discurso de cerca de 50 minutos.

"Vamos ser quase ortodoxos na macroeconomia, mas vamos compensar largamente sendo heterodoxos, inovadores e atrevidos em outros aspectos, em particular a ter um estado ativo no estímulo, um país 'agrointeligente'", continuou.

Mujica, que é o 52º presidente da história do Uruguai e o sexto após a ditadura (1973-1985), afirmou ainda que durante sua gestão não irá "repetir os erros do passado, em particular os que aconteceram dos anos 50 aos 70, quando a sociedade talvez com boa intenção desperdiçou enormes recursos".

"Queremos transformar a realidade, terminar com a indigência, que as pessoas tenham trabalho, saúde, previdência social, nada disso se consegue com gritos", enfatizou.

Por isso, "vamos buscar o diálogo, não porque somos bons ou mansos, mas porque acreditamos que esta ideia da complementaridade é a que melhor se ajusta à realidade de hoje" e "vamos continuar a construir uma pátria para todos", continuou.

"Não vamos esperar de braços cruzados que nos tragam o destino ou o mercado, vamos sair a buscá-lo", complementou Mujica, ao ressaltar o interesse de seu governo em aprofundar a inserção internacional do país no mundo e na região.

Sobre a América Latina, o novo presidente, de longa militância na esquerda e ex-guerrilheiro tupamaro, afirmou que a região é como "uma família balcanizada que quer juntar-se, mas não pode".

"Continuamos fracassando ao [tentar] fazer a pátria grande, pelo menos até agora, [mas] nós não perdemos a esperança porque estão vivos os sentimentos, do Rio Bravo às Malvinas vive uma única nação, a nação latino-americana", afirmou.

Mujica também dedicou parte de seu discurso ao Mercosul, do qual o Uruguai fará parte "até que a morte nos separe" e pediu "uma atitude recíproca" de todos os parceiros de maior envergadura econômica, referindo-se a Brasil e Argentina.

Em outro momento, Mujica considerou que a "globalização é um fato irreversível" e enfatizou que "embora a idéia de fechar-se ficou obsoleta, o protecionismo continua vivo, protagonizado por unidades de tamanho continental".

Entre os líderes presentes nos eventos que marcam a transferência da faixa presidencial -- que será entregue do mandatário Tabaré Vázquez a Mujica -- estão o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a argentina Cristina Kirchner, o paraguaio Fernando Lugo, entre outros.

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