UOL Notícias Notícias
 

02/03/2010 - 20h12

Brasileiro que estava no Chile relata 'angústia' antes de retorno ao país

ANSA
Por THIAGO BORGES

SÃO PAULO, 2 MAR (ANSA) - O secretário-executivo do Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL), José Castilho Marques Neto, que estava no Chile para um congresso no sábado, quando houve o terremoto, relatou hoje à ANSA que a impossibilidade de se comunicar foi sua principal preocupação até que conseguisse voltar ao país, o que ocorreu na última noite.

"Procuramos ficar atentos e não criar problemas. Foi muita angústia, foi muito difícil", disse Castilho, um dos 30 brasileiros que chegaram a São Paulo nesta madrugada a bordo de um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) que integrava a comitiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"Em alguns momentos não havia eletricidade, mas o pior foi mesmo a falta de comunicação. Do nosso grupo, só o meu celular tinha sinal. Nem o telefone do hotel funcionava. O acesso à internet era interrompido a todo momento", disse ele, que junto a outras 16 pessoas participou do 1º Congresso Ibero-Americano de Literatura Infantil e Juvenil, em Santiago.

No sábado, o Chile foi atingido por um forte terremoto de 8,8 graus na escala Richter. Desde então, o aeroporto da capital permanece fechado para voos comerciais.

Até o momento, foram contabilizadas 795 mortes, e as regiões mais prejudicadas se concentram no centro-sul do país. Ao todo, dois milhões de pessoas foram afetadas.

Castilho afirmou que esperava desde sábado pelo retorno ao Brasil. "Na medida do possível, foi uma espera contida. Nós nos limitamos a comunicar à Embaixada que estávamos organizados para qualquer plano [de resgate]", destacou.

Ele também disse ter permanecido em seu hotel o maior tempo possível nos últimos dois dias. "Tínhamos consciência de que estávamos muito bem instalados, com água e comida", ressaltou.

Segundo Castilho, todos os brasileiros que ainda estão Chile recebem ajuda do Consulado e da Embaixada. "Alguns perderam os documentos ou dinheiro na hora do terremoto e esperam a autorização para voltar para casa", explicou.

O secretário-executivo do PNLL, que também é diretor presidente da Editora Unesp, disse que apesar de Santiago estar relativamente longe do epicentro, o abalo foi sentido com intensidade na capital.

"Não foi um tremor, mas uma ebulição. No hotel onde eu estava houve canos da tubulação que se romperam. A minha cama balançava um metro para o lado", disse.

"Um taxista me contou que, no momento do terremoto, as extremidades dos prédios pareciam que iam se tocar de tão forte que era o tremor", afirmou.

Segundo Castilho, os momentos que se seguiram ao sismo foram marcados por um "grande silêncio". "Ninguém saía para as ruas. No domingo, também. Ontem as lojas começaram a abrir no centro de Santiago. As pessoas voltaram a pegar ônibus e metrô. Na capital o abalo foi forte, mas não se compara com o que aconteceu no sul", explicou.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h58

    -0,53
    3,128
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    -0,28
    75.389,75
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host