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11/03/2010 - 09h06

(Entrevista) Piñera pode virar 'herói nacional' se conseguir administrar reconstrução do Chile, diz especialista

ANSA
Por BEATRIZ FARRUGIA

SÃO PAULO, 11 MAR (ANSA) - O empresário Sebastián Piñera, que assume hoje a presidência do Chile, poderá se tornar um "herói nacional" caso consiga responder bem às demandas geradas pelo terremoto que atingiu o país no mês passado, diz à ANSA o professor José Augusto Guilhon Albuquerque, da USP.

"Um grande desafio pode ser positivo, na medida em que ele obriga a tomar medidas heroicas. Quanto maior o desafio, maior será a vitória se ele for bem encaminhado", observa o especialista.

Segundo ele, grandes fenômenos, como o tremor de 8,8 graus que deixou cerca de 500 mortos no Chile, podem "encerrar ou consagrar um governo". "Tudo vai depender da capacidade de Piñera de conduzir o país", afirma.

No plano das relações políticas, Albuquerque crê que a tragédia, que afetou um total de dois milhões de pessoas, poderá fomentar uma maior aproximação entre os partidos.

Nos últimos dias, tanto Piñera quanto a atual mandatária, Michelle Bachelet, bem como funcionários de ambas as gestões, prometeram trabalhar de forma coordenada para ajudar as populações afetadas e reconstruir as regiões destruídas.

"A tendência é a convergência. Não digo um governo de coalizão, mas que mantém as mesmas políticas gerais", opina Albuquerque. "Por um lado, o terremoto diminui a liberdade da oposição para ser mais forte e exigente, mas de outro favorece a unidade nacional", acrescenta.

Piñera, que venceu o segundo turno das eleições com 51,6% dos votos, derrotando o ex-presidente Eduardo Frei, candidato da aliança governista Concertación, reiterou em diversas ocasiões durante a campanha que daria continuidade à linha social da gestão de Bachelet, que deixa o cargo com uma aprovação recorde de 84%.

Na semana passada, entretanto, o novo presidente anunciou que as prioridades de seu mandato seriam reformuladas em virtude do terremoto, o que considera necessário para "enfrentar a emergência cidadã".

Seu projeto também inclui, com respeito à economia e aos danos causados pela catástrofe, a "recuperação da normalidade produtiva".

No último fm de semana, Piñera e Bachelet se abraçaram, emocionados, durante um programa de televisão que visava arrecadar dinheiro para a reconstrução do país, ao serem informados do valor da verba alcançada, de US$ 5,9 milhões (cerca de R$ 10,5 milhões).

O sismo foi seguido por mais de cem réplicas, agravando a situação de muitas regiões do país, entre elas as de Bío Bío e Maule, consideradas as mais devastadas. O abalo também provocou tsunamis em pontos do litoral.

Recentemente, Bachelet disse que a reconstrução do Chile deveria levar no mínimo três anos. Analistas acreditam que o prejuízo causado pelo terremoto seja de US$ 7 bilhões (aproximadamente R$ 19 bilhões).

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