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12/03/2010 - 11h17

(Amplia) Papa aprova medidas contra pedofilia adotadas pela Igreja alemã, diz bispo

ANSA
CIDADE DO VATICANO, 12 MAR (ANSA) - O presidente da Conferência Episcopal Alemã (DBK, na sigla em alemão), Robert Zollitsch, afirmou que o papa Bento XVI aprovou as medidas que a Igreja do país tomará quanto às denúncias de pedofilia que envolvem seus membros.

O bispo falou à imprensa após participar de uma audiência com o Pontífice, durante a qual os dois discutiram os casos de abusos sexuais contra crianças e jovens divulgados recentemente e que envolvem sacerdotes alemães.

"Estou transtornado com o que aconteceu e pelos atos de violência contra os menores. Peço desculpas às vítimas dos crimes de pedofilia", declarou Zollitsch. "Informei o Santo Padre das medidas que estamos adotando", continuou o presidente da DBK, citando o encontro de hoje.

Conforme explicou o bispo, Bento XVI escutou "com grande angústia, atento interesse e profunda comoção" a relação de casos de "assédios pedagógicos e abusos sexuais" ocorridos na Alemanha.

O Pontífice "é favorável às nossas ações e ao caminho que tomamos para sanar as feridas do passado e evitá-las no futuro", "mas não sabemos se serão estendidas a outros países", explicou Zollitsch, afirmando que isso dependeria de decisão da Congregação para a Doutrina da Fé, que "tem a estudo um decálogo próprio".

"Conversei com a congregação, que está recolhendo propostas e usos em ação nos diferentes países, a partir dos quais pensa depois em elaborar as próprias normas. Nós temos as nossas e o Papa as aprovou", explicou.

O Pontífice teria se mostrado satisfeito com a designação do bispo de Treviri, Stephan Ackermann, como "encarregado extraordinário para todas as questões inerentes aos abusos sexuais". Além disso, a Igreja alemã recomendou a todas as dioceses investigar cada episódio já divulgado ou que poderia surgir, mesmo os mais antigos.

O presidente da DBK afirmou que a Igreja Católica alemã "sempre colaborou com" as investigações depois do surgimento das denúncias, exceto quando "o pedido de não se dirigir à justiça comum vinha das próprias vítimas, ou quando era necessário protegê-las".

"Queremos trazer à luz a verdade sem falso respeito por ninguém ou quem seja, mesmo coisas ocorridas muito tempo atrás, porque as vítimas têm o direito", continuou. Para isso, foi feito um reconhecimento das regras de procedimento a serem seguidas na Alemanha, o que seria uma espécie de "catálogo".

"Todos os números provam que o problema dos abusos contra menores não se refere somente à Igreja Católica. Mas não há na Alemanha outro grupo que tenha normas tão severas", garantiu o religioso. "Os procedimentos por nós adotados têm dado ótimos resultados nos últimos oito anos", completou.

O bispo informou ainda que a instituição alemã está fornecendo "assistência humana, psicológica e pastoral adequada às exigências" das vítimas e seus familiares.

Ainda durante a entrevista coletiva, Zollitsch refutou a ideia de que o celibato eclesiástico seja a origem dos casos de pedofilia na Igreja e expressou vontade em dialogar com quem ataca esta instituição para explicar sua validade.

As principais denúncias envolvendo sacerdotes alemães se referem a episódios de abuso sexual que teriam ocorrido em escolas jesuítas nas décadas de 1970 e 1980 e no coro de rapazes da catedral de Regensburg, que foi dirigido pelo irmão do Pontífice, Georg Ratzinger, durante trinta anos.

Após a reunião com o presidente da DBK, Bento XVI recebeu em audiência participantes do Congresso Teológico Internacional "Fidelidade de Cristo, fidelidade do Sacerdote". Na ocasião ele discursou reafirmando o caráter sagrado do celibato, mas sem fazer qualquer referência às denúncias de pedofilia.

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