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13/03/2010 - 14h58

(Especial) No México, traficantes usam música para fazer propaganda, diz especialista

ANSA
Por VITOR LOUREIRO SION

SÃO PAULO, 13 MAR (ANSA) - Os narcotraficantes mexicanos têm se apropriado do sucesso dos corridos, um tradicional gênero musical do país, para fazer "propaganda" de suas atividades, diz o jornalista Diego Osorno, autor de "El Cártel de Sinaloa. Una historia del uso político del narco".

"Esse tipo de música é uma tentativa de legitimar uma atividade mal vista pela sociedade. Além disso, serve como um instrumento para que mais pessoas sejam recrutadas para os cartéis", afirma o mexicano, em entrevista à ANSA.

Em sua opinião, a popularidade dos corridos -- as principais bandas já venderam mais de 50 milhões de cópias --, que quando são apropriados pelo tráfico se tornam os "narcorridos", foi incorporada como uma estratégia pelos criminosos. E deu resultado.

"Tanto é que, hoje, há mais jovens querendo ser [Joaquin] 'El Chapo' Guzmán [líder do Cartel de Sinaloa] que empresários bem sucedidos", analisa Osorno.

O sociólogo José Manuel Valenzuela Arce, do Colégio de La Frontera Norte, aponta um dos motivos que, em sua opinião, levam alguns músicos a se aproximarem de chefes dos cartéis de drogas. Muitas vezes, eles chegam a aparecer juntos em eventos públicos.

"Os narcotraficantes têm capacidade financeira para comprar qualquer diversão. Todos os grandes artistas já cantaram para criminosos, mas não é um problema, pois eles são pagos para cantar, e isso não gera vínculos com atividades mafiosas", diz o professor.

Governo e censura

Apesar do sucesso das bandas de corridos, a mais conhecida delas, Los Tigres Del Norte, que já vendeu mais de 35 milhões de cópias, tem enfrentado problemas devido à censura de suas músicas relacionadas ao narcotráfico.

O governo mexicano proibiu que as rádios tocassem as canções associadas ao crime sob o argumento de que os jovens poderiam ser persuadidos. Valenzuela Arce, porém, vê outra razão para a medida.

"As proibições aumentaram quando os 'narcorridos' começaram a mostrar as redes sociais que estão por trás do crime, como a cumplicidade e a corrupção das autoridades políticas e militares", pondera.

Já o professor Thiago Rodrigues, coordenador do curso de Relações Internacionais da Faculdade Santa Marcelina, crê que os traficantes usam seu poder político e econômico para conquistar a aprovação da sociedade -- neste caso, por meio da música.

"Os chefes dos cartéis não se escondem. Eles se apresentam como grandes empresários e sua influência é relevante não apenas no âmbito estatal, mas também no dia-a-dia da população, através do patrocínio de eventos recreativos e do auxílio para o acesso a serviços indispensáveis, como saúde e educação", afirma.

Dessa forma, os chefes dos cartéis diversificam seus investimentos em negócios que agradam à sociedade, como o apoio a clubes de futebol.

No entanto, Osorno é categórico ao definir o caminho traçado pelos narcotraficantes. "São empresários armados que só ficam na boa vida, mas o destino deles é certo: uma morte trágica ou a prisão", opina.

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