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18/03/2010 - 17h58

Presidente das Avós da Praça de Maio depõe em processo contra ex-repressor na Itália

ANSA
ROMA, 18 MAR (ANSA) - A presidente da organização Avós da Praça de Maio, Estela de Carlotto, explicou hoje, em seu depoimento perante um tribunal de Roma, "a maquinaria de horror" implementada na Escola de Mecânica da Marinha (Esma), de Buenos Aires, que atuou durante a ditadura militar argentina (1976-1983).

Segundo denúncias, na Esma, muitas mulheres foram assassinadas após darem à luz a seus filhos em cativeiro. As crianças, por sua vez, foram roubadas por membros da academia.

Na Itália, os magistrados julgam o ex-almirante Emilio Eduardo Massera pelo homicídio voluntário premeditado e agravado de três cidadãos do país: Angela Maria Aieta, Giovanni e Susanna Pegoraro. Pelo mesmo crime, já foram julgados e condenados à prisão perpétua os ex-militares Jorge Eduardo Acosta, Alfredo Ignacio Astiz, Antonio Vañek e Jorge Raul Vildoza.

Em declarações à ANSA, o advogado Marcello Gentili -- que representa os familiares das vítimas -- disse que Carlotto, cuja filha Laura Estella foi sequestrada e assassinada após o nascimento de um menino que ainda não foi encontrado, expôs "o drama pessoal e das crianças roubadas".

"Estela explicou durante mais de uma hora como era a organização da maternidade na Esma, a apropriação das crianças nascidas e o genocídio das mães, tudo com o consentimento de Massera, que era responsável por essa academia", continuou Gentili.

Para o advogado, os depoimentos de hoje "foram muito positivos", pois "desarmaram as mentiras de um testemunho anterior, do ex-marinheiro Adolfo Scilingo". Além da presidente da associação de defesa dos direitos humanos, uma de suas filhas, Claudia, e a esposa de um desaparecido, Graciela Lois, também prestaram depoimentos.

O julgamento contra Massera na Itália foi iniciado no último ano. Desde então, foram realizadas várias audiências. Em uma delas, no último dia 16 de fevereiro, Scilingo foi chamado a testemunhar por meio de uma videoconferência da Espanha, onde está detido.

Ao se declarar, ele negou sua participação nos chamados "voos da morte", nos quais os presos políticos eram lançados no mar a partir de aviões em movimento. Alguns dos corpos -- jogados no Rio da Prata -- foram recuperados e identificados por antropólogos especializados. Scilingo já foi julgado e condenado na Espanha.

As próximas audiências acontecerão entre 25 e 27 de maio. A ditadura argentina, considerada uma das mais violentas da América Latina, deixou pelo menos 30.000 desaparecidos, de acordo com organismos de defesa dos direitos humanos. Nesse país, ex-membros da Esma também são julgados por crimes de lesa-humanidade.

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