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20/03/2010 - 13h00

Papa recebe mensagens de apoio e críticas após carta sobre pedofilia na Irlanda

ANSA
ROMA E DUBLIN, 20 MAR (ANSA) - A carta pastoral do papa Bento XVI, destinada aos fiéis da Irlanda e que reconhece o "grave dano" causado pelos casos de pedofilia em instituições eclesiásticas desse país, repercutiu entre os setores político, religioso e social.

"Finalmente este grande Papa está colocando as coisas em seu lugar", afirmou o presidente da associação italiana Cattolici Padani, senador Giuseppe Leoni, em uma nota divulgada pouco depois da publicação do texto de Bento XVI.

Retomando alguns trechos do documento, Leoni considerou que foram "santas as palavras de Joseph Ratzinger, quando afirmou que os padres responsáveis por abusos 'traíram a confiança' depositada pelos jovens e por suas famílias e devem responder 'perante o Deus onipotente e aos tribunais devidamente constituídos'. Que a Justiça seja feita", completou.

Por sua parte, o primaz da Igreja Católica irlandesa, o cardeal Sean Brady, agradeceu "profundamente" ao Pontífice "por sua profunda gentileza e sua preocupação".

"Nesta carta, fica evidente que o papa Bento XVI está profundamente consternado com o que descreve como 'atos criminosos e pecaminosos' e pela maneira como as autoridades da Igreja na Irlanda os enfrentaram", acrescentou Brady.

Já o arcebispo de Dublin, Diarmuid Martin, esclareceu que o texto não deve ser visto como um documento final, mas "como um passo em frente no processo de renovação e de restabelecimento da Igreja Católica na Irlanda".

"Acolho a expressão de desculpas do Papa e o seu reconhecimento pelo sofrimento dos sobreviventes da violência. O Papa reconhece o fracasso das autoridades da Igreja na forma com que enfrentaram estes atos pecaminosos e criminosos", completou.

Por outro lado, Andrew Madden, que em 1995 foi uma das primeiras pessoas a denunciar ter sido vítima de abusos sexuais, o Pontífice respondeu de forma "inapropriada".

Ele também deveria "aceitar explicitamente a renúncia dos bispos James Moriarty, Eamonn Walsh e Raymond Field, e obrigar o bispo Martin Drennan, também envolvido em outro escândalo, a deixar o posto". "Se a Igreja Católica quer recuperar sua credibilidade e seguir em frente, esta situação deve mudar", ressaltou.

No mesmo sentido, a associação irlandesa em defesa das vítimas de abusos sexuais cometidos por religiosos, One in Four, se disse "profundamente desiludida" com o texto.

Para a diretora dessa entidade, Meave Lewis, "o Papa parece concentrar-se excessivamente no fato de que a lei canônica não foi aplicada da forma correta, sem reconhecer a responsabilidade pelo encobrimento da verdade".

"Tínhamos a impressão de que o Papa considerasse o problema na Irlanda o fruto de um processo de secularização, mas não é assim", completou.

Em seu texto, Bento XVI reconhece "a gravidade" dos crimes cometidos por religiosos e encobertos por membros da diocese de Dublin por décadas, e que vieram a público apenas no último ano, após anos de investigação da Justiça local.

"Expresso abertamente a vergonha e o remorso que todos provamos", diz o Papa em uma parte do texto. Ele ainda esclarece às vítimas que este também é um "grande dano" à Igreja e "à pública percepção do sacerdócio e da vida religiosa".

"A Justiça de Deus exige que assumamos nossas ações sem ocultar nada", por isso, "reconheçam abertamente a sua culpa, submetam-se às exigências da Justiça", determina o Pontífice aos envolvidos nas agressões.

Aos padres pedófilos, Bento XVI também reitera que estes devem responder por seus crimes, "perante o Deus onipotente e também frente aos tribunais devidamente constituídos".

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