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24/03/2010 - 15h21

Cardeal rebate críticas de teólogo reformista a Bento XVI

ANSA
CIDADE DO VATICANO, 24 MAR (ANSA) - O cardeal alemão Paul Josef Cordes defendeu hoje o papa Bento XVI das acusações feitas pelo teólogo reformista suíço Hans Kung, de que o Pontífice teria ocultado informações sobre abusos contra menores cometidos no seio da Igreja.

Cordes afirmou que na década de 1970, quando Kung era professor na cidade alemã de Tubinga, ele já demonstrava ter "grande talento no campo do marketing estratégico" e ser "muito hábil em colocar o dedo nas chagas da Igreja", mas não tinha a mesma capacidade para "curá-las".

Em uma entrevista à TV suíça, o estudioso afirmou que "não havia nenhum outro homem em toda a Igreja Católica que sabia tanto sobre casos de abusos sexuais" quanto o Papa.

O teólogo explicou sua acusação argumentando que, em maio de 2001, Bento XVI, então cardeal Joseph Ratzinger, enviou uma carta aos bispos do mundo pedindo que fossem passadas a ele todas as informações referentes a assédios envolvendo membros do clero.

Hoje, Cordes respondeu a Kung durante o lançamento de seu livro "Perchè sacerdote? Risposte attuali con Benedetto XVI", editado pelo jornal vaticano L'Osservatore Romano.

Considerado homem próximo ao Papa, Cordes analisou o pensamento de Kung ressaltando que "suas observações sobre o presbitério são conduzidas exclusivamente pela pergunta a respeito do seu objetivo, e giram em torno das atividades às quais o sacerdote deve se dedicar".

O cardeal, que preside o Pontifício Conselho "Cor Unum" -- órgão responsável pelas ações de caridade da Igreja Católica --, destacou que o teólogo reformista erra ao definir o papel do padre somente como um "guia da comunidade, que por sua vez se articula sob a forma de múltiplas funções". Ele enfatizou ainda que "o ministério sacerdotal tem caráter extremamente teocêntrico".

Nos últimos meses, casos de abusos contra menores cometidos por membros do clero vieram à tona em diversos países, como Irlanda, Espanha, México, Itália, Canadá, Áustria, Holanda e Alemanha, onde agressões denunciadas se referiam, inclusive, a um coro de rapazes que foi dirigido pelo irmão de Bento XVI, Georg Ratzinger.

No sábado passado, o Pontífice enviou uma carta aos católicos irlandeses expressando sua "vergonha" pelos crimes cometidos por sacerdotes do país e acobertados por 60 anos. Após a divulgação do documento, ele chegou a ser criticado por entidades alemãs, porque teria evitado falar sobre os casos em sua terra natal.

Antes, porém, o Papa já havia dito que sua reflexão seria destinada aos fiéis da Irlanda. Depois, o porta-voz da Santa Sé, padre Federico Lombardi, também esclareceu que esta é apenas "uma etapa de um caminho" e "não busca desculpar-se" pelas denúncias em outras nações.

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