UOL Notícias Notícias
 

25/03/2010 - 09h55

Entidade faz protesto em Roma e fala de caso de pedofilia descoberto nos EUA

ANSA
ROMA, 25 MAR (ANSA) - A polícia italiana interrompeu uma manifestação organizada pela associação norte-americana Survivors Network of Those Abused by Priests -- Snap (Rede de sobreviventes dos abusados por padres, em tradução livre), que ocorria hoje em Roma.

A ação foi realizada na Praça Pio XII, em frente ao Vaticano, e tinha como objetivo protestar contra os casos de pedofilia na Igreja Católica. Membros da Snap foram levados embora "para averiguações" e tiveram seus passaportes inspecionados.

Durante a ação, os integrantes da associação distribuíram à imprensa cópias da correspondência que teria sido trocada nos anos 1990 entre o papa Bento XVI e autoridades católicas de Milwaukee, nos Estados Unidos, relacionadas a um caso divulgado hoje pela imprensa do país.

De acordo com o jornal The New York Times, o Pontífice e o cardeal Tarcisio Bertone, atual secretário de Estado do Vaticano, ocultaram o episódio que envolvia um padre acusado de ter molestado pelo menos 200 crianças surdas em uma escola de Wisconsin.

Segundo o veículo, em 1996 Joseph Ratzinger -- que então era prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé -- ignorou duas cartas enviadas pelo arcebispo de Milwaukee, Rembert Weakland, sobre as suspeitas contra o sacerdote, que se chamava Lawrence Murphy e morreu em 1998.

Oito meses depois, Bertone, o número dois de Ratzinger na época, instruiu a diocese local a começar um processo canônico secreto que poderia causar o afastamento de Murphy. A ação legal teria sido interrompida pelo próprio cardeal depois que o padre pedófilo enviou uma carta à Santa Sé alegando que se arrependera e estava em más condições de saúde.

A reportagem informou ainda que o sacerdote envolvido nos abusos sexuais jamais recebeu punições, mas foi transferido em segredo para várias paróquias.

O porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, negou que a Santa Sé tenha ignorado o caso e atribuiu a falta de represália contra Murphy a sua saúde precária e à ausência de novas acusações. Ele ressaltou que o caso só chegou ao conhecimento da Santa Sé 20 anos depois do final das investigações das autoridades civis.

Segundo Lombardi, a Congregação para a Doutrina da Fé se restringiu a recomendar que o arcebispo de Milwaukee avaliasse maneiras de confrontar a situação, "por exemplo limitando o ministério público do padre Murphy e exigindo que ele aceitasse a plena responsabilidade da gravidade de seus atos".

"A Igreja está tentando reescrever a história, dizendo 'nós não sabíamos'. Mas este documento demonstra que sabiam e não fizeram nada", criticou Peter Isely, representante da Snap.

"No meu país, qualquer trabalho que você tenha -- professor, psicólogo, médico, advogado --, se abusar e violentar uma criança, perderá seu emprego. Na Igreja, ao contrário, não há regras", declarou.

Um dos pedidos da Snap citados no protesto de hoje é que Bento XVI torne "públicas as dezenas de documentos mantidos secretos no Vaticano" sobre os casos de pedofilia e que "sejam fornecidos à polícia todos os elementos".

"O Papa deve emitir imediatamente um edito com o qual obriga todos os bispos do mundo a denunciar à polícia e remover os padres pedófilos do sacerdócio", acrescentou a presidente da associação, Barbara Blaine. "A Igreja retira os sacerdotes só quando é obrigada a fazê-lo, sozinha não faz a coisa certa nunca", completou.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,12
    3,283
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h21

    -0,05
    63.226,79
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host