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26/03/2010 - 13h04

Itália: D'Alema diz que casos de pedofilia devem ficar fora da campanha eleitoral

ANSA
ROMA, 26 MAR (ANSA) - O ex-primeiro-ministro italiano Massimo D'Alema, do Partido Democrata [PD, principal força de oposição], pediu hoje que os casos de pedofilia que envolvem religiosos e o Vaticano, Estado localizado na Itália, não sejam "misturados à campanha" política.

"São questões que são acompanhadas com respeito", afirmou D'Alema ao ser questionado por jornalistas em Foggia, na região da Puglia, onde participou de um ato em vista das votações regionais, que acontecerão neste domingo e na segunda-feira. Mas "não deve ser misturado à campanha eleitoral", esclareceu.

Sobre as eleições, o ex-premier, que também já foi chefe da diplomacia do país, disse acreditar "que o resultado marcará a vontade de mudança do país. Vejo a grande dificuldade do partido [Povo da Liberdade, PDL] do presidente do Conselho [de Ministros, Silvio Berlusconi] e espero que a vitória da oposição possa dar mais força às pessoas moderadas".

Contudo, outros políticos italianos aproveitaram a mesma ocasião para falar dos episódios que eclodiram na Igreja Católica e que ganharam grande destaque na mídia mundial, principalmente após a recente denúncia referente ao período do então arcebispo de Munique e Freising, Joseph Ratzinger, nome de batismo do papa Bento XVI.

"Expressamos nossa afetuosa solidariedade ao Santo Padre", disse, por sua parte, o líder da União da Democracia Cristã e de Centro (UDC), Pier Ferdinando Casini, em uma coletiva de imprensa junto à candidata de centro-direita à presidência [governo] de Lazio, Renata Polverini.

"Ninguém foi tão inflexível quanto o Papa ao condenar os desvios e os comportamentos amorais" e "pedimos a toda a política italiana que expresse solidariedade ao Santo Padre e à Igreja Católica", completou Casini.

Também o ministro para as Simplificações Normativas, Roberto Calderoli, saiu hoje em defesa do Pontífice, pedindo aos veículos da imprensa que "não toquem no nome do Papa", "porque o Santo Padre é atacado de forma grosseira", afirmou à ANSA.

Por sua vez, o prefeito Gianni Alemanno, "como prefeito de Roma, e não apenas como fiel, não posso não expressar a minha total solidariedade ao Santo Padre, Bento XVI, e minha indignação contra este terrível ataque que provém das fontes jornalistas norte-americanas".

"É inacreditável que acusações de tal gravidade sejam lançadas contra figuras universais e contra o Pontífice de uma Igreja que é reconhecida por milhões de fiéis, tudo pela via jornalística com uma evidente superficialidade e leviandade na reconstrução histórica", declarou.

Já Pierluigi Castagnetti, também do PD, opinou que a existência de "uma campanha contra o Papa e contra o secretário de Estado da Santa Sé [cardeal Tarcisio Bertone] por alguns grandes jornais estrangeiros não é casual, e responde ao direito ou ao dever informativo".

Por outro lado, ainda segundo Castagnetti, "o objetivo é ferir a sua autoridade e o seu magistério" e esta "é a ocasião dos bispos e dos fiéis refletirem com mais profundidade".

No início da semana, o atual chefe de Governo, Silvio Berlusconi, que nestas votações corre o risco de perder o controle de Lazio -- onde se localiza a capital do país, Roma, e que é considerada uma das mais importantes das 20 regiões do país --, também falou sobre o assunto e defendeu o Pontífice, ao afirmar que "os erros de pouquíssimos não podem colocar em dúvida o bem da planta cristã, mártir em muitas partes do mundo, onde faz obras de caridade e justiça".

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