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26/03/2010 - 09h34

Jornal diz que Papa sabia de continuação de trabalho pastoral de pedófilo em Munique

ANSA
ROMA, 26 MAR (ANSA) - O jornal The New York Times acusou o papa Bento XVI de saber que o padre pedófilo Peter Hullermann havia retomado o trabalho pastoral após ser transferido para a Arquidiocese de Munique e Freising na época em que o Pontífice era arcebispo ali.

A notícia veiculada no site da publicação norte-americana contraria alegações anteriores do Vaticano, que havia adiantado que Joseph Ratzinger assinara a autorização para a mudança do sacerdote, mas que o fizera com o objetivo de que ele procurasse tratamento na região.

Hullermann, de 62 anos, chegou a Munique, sul da Alemanha, em 1980, depois de ser acusado de cometer abuso sexual contra menores na diocese de Essen, no norte do país. Apesar da mudança, o religioso continuou praticando o crime, tendo sido condenado a 18 meses de prisão em 1986.

Quando a história veio à tona, a arquidiocese divulgou uma nota afirmando que Bento XVI ordenou somente que o sacerdote fosse acolhido em uma casa paroquial para fazer terapia, e que foi o ex-vigário-geral, Gerhard Gruber, "afastando-se desta decisão", quem designou sem limitações o padre pedófilo a uma paróquia de Munique.

A versão foi confirmada pelo porta-voz vaticano, Federico Lombardi. Depois que as denúncias contra Hullerman vieram à tona, há alguns dias, o religioso foi suspenso de suas funções.

De acordo com o NYT, o Pontífice "tinha sido informado de que o padre, que ele mesmo havia aprovado que fosse mandado em terapia para se curar da pedofilia, teria ao contrário retornado ao trabalho pastoral poucos dias após o início do tratamento psiquiátrico".

"Qual papel Ratzinger tenha tido ao tomar a decisão e quanto interesse tenha demonstrado no caso do padre pedófilo, que havia molestado numerosas crianças em seu trabalho anterior, não é claro", afirma o jornal.

O caso de Peter Hullermann se junta às denúncias de pedofilia ocorridas em escolas jesuítas alemãs nas décadas de 1970 e 1980 e aos episódios relacionados ao coro da catedral de Regensburgo, que foi dirigido pelo irmão de Bento XVI, Georg Ratzinger, por trinta anos.

Frente as acusações de "silêncio" que envolvem os abusos cometidos no seio da Igreja Católica do país, a revista Der Spiegel publicou uma nota na qual questiona "por que o Papa continua no cargo".

A publicação comenta que a Congregação para a Doutrina da Fé, que foi comandada pelo atual Pontífice entre 1981 e 2005, "renunciou" a punir um padre pedófilo norte-americano, em uma história publicada ontem também pelo NYT. De acordo com o Der Spiegel, as suspeitas fazem com que a autoridade de Joseph Ratzinger "diminua".

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