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26/03/2010 - 12h17

Junto a Papa, pregador vaticano classifica pedofilia como 'traição' da confiança da Igreja

ANSA
CIDADE DO VATICANO, 26 MAR (ANSA) - O Pregador da Casa Pontifícia, Frei Raniero Cantalamessa, falou sobre pedofilia na presença do papa Bento XVI, dizendo que "não se pode generalizar" os casos da Igreja, mas também não se deve silenciar sobre eles.

Neste Ano Sacerdotal, que tem como tema "Fidelidade de Cristo, fidelidade do sacerdote", todas as meditações do período quaresmal são dedicadas aos "administradores do mistério de Deus".

Durante a terceira e última prédica do período, realizada na capela vaticana Redemptoris Mater, Cantalamessa lembrou que alguns religiosos são responsáveis pela "traição da confiança de Cristo e da Igreja" através de uma "dupla vida, o descumprimento dos deveres do próprio estado, sobretudo ao que se refere ao celibato e à castidade".

"Sabemos por dolorosa experiência quanto dano pode vir à Igreja e às almas com este tipo de infidelidade. É a prova talvez mais dura que a Igreja está atravessando neste momento", lamentou ele, ressaltando, porém, que a instituição "é rica de sacerdotes santos que cumprem silenciosamente o próprio dever".

O frei assegurou que se a entidade religiosa tiver humildade, conseguirá sair "mais resplandecente do que nunca desta guerra". Ele também comentou que "a fúria" da mídia obtém a longo prazo o efeito contrário daquele desejado.

"Cristo sofre mais do que nós pela humilhação de seus sacerdotes e a aflição de sua Igreja; se o permite, é porque conhece o bem que disso pode resultar, em vista de uma maior pureza" da instituição, acrescentou Cantalamessa.

O Pregador da Casa Pontifícia continuou sua homilia com uma mensagem de esperança, citando as palavras do profeta Jeremias, quando este disse que "é uma graça do Senhor que não tenhamos sido completamente destruídos" e que "sua compaixão não se exauriu, mas se renova a cada manhã".

Também hoje, o jornal dos bispos italianos Avvenire rebateu as acusações de que Bento XVI tenha sido omisso na hora de punir sacerdotes pedófilos cujos crimes chegaram a seu conhecimento quando era arcebispo de Munique e Freising e, posteriormente, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.

Em um editorial, a publicação afirmou que as denúncias revelam "uma feroz onda midiática", enquanto uma "estranha, lívida vontade de lama emerge de certos títulos".

De acordo com o Avennire, as suspeitas são "graves e sem provas", e demonstram em alguns locais uma tentativa "de lapidação", um "frenesi de lançar a pedra, de emporcalhar, de insinuar que, na realidade, aqueles que agem em nome de Cristo são afinal iguais a nós, e na verdade muito piores".

"O que algumas vezes, tragicamente, pode ser verdadeiro. Mas não muda a essência da Igreja, o ser corpo de Cristo, apesar de feita por homens pecadores", completou a publicação episcopal.

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