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26/03/2010 - 10h53

Vaticano reitera que Papa não encobriu abusos e diz que NYT está apenas 'especulando'

ANSA
CIDADE DO VATICANO, 26 MAR (ANSA) - O papa Bento XVI "não sabia da decisão de reinserir o sacerdote H [como é citado o religioso Peter Hullermann] na atividade pastoral paroquial" e "qualquer outra versão" é uma "mera especulação", afirmou hoje o porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi.

O porta-voz respondeu, assim, às novas acusações do jornal norte-americano The New York Times que, nesta sexta-feira, apontou novamente que o Papa, então cardeal Joseph Ratzinger e arcebispo de Munique, no sul da Alemanha, aceitou a continuidade de Peter Hullermann na atividade pastoral, mesmo após ele ter sido acusado de abusar sexualmente de menores.

"O artigo do New York Times não contém nenhuma nova informação além da que a arquidiocese já havia comunicado sobre o conhecimento do então arcebispo [Joseph Ratzinger] sobre a situação do padre H", apontou Lombardi.

"A arquidiocese também confirma sua posição de que o então arcebispo não sabia da decisão de resinserir o sacerdote H nas atividades pastorais" e "o então vigário-geral, Gerhard Gruber, assumiu a plena responsabilidade pela errada decisão".

Hullermann, de 62 anos, chegou a Munique em 1980, depois de ser acusado da prática de pedofilia na diocese de Essen, no norte do país. Na época, Ratzinger ordenou que o sacerdote fosse acolhido em uma casa paroquial para fazer terapia.

Contudo, segundo a arquidiocese, Gruber se "afastou desta decisão" e o designou sem limitações à atividade pastoral. O religioso foi condenado pelos crimes em 1986.

O caso ganhou uma grande repercussão na imprensa mundial por ter sido registrado justamente na época em que Joseph Ratzinger exercia a chefia da Arquidiocese de Munique.

O episódio se soma ainda às recentes denúncias de pedofilia em escolas jesuítas alemãs nas décadas de 1970 e 1980, e aos episódios relacionados ao coro da catedral de Regensburgo, que foi dirigido pelo irmão do Pontífice, Georg Ratzinger, por trinta anos.

Além destes, a Igreja Católica também enfrenta acusações em outras nações, como Estados Unidos, Espanha, Canadá, México e Irlanda. No último fim de semana, em uma carta aos fiéis irlandeses, Bento XVI disse sentir "vergonha" e ordenou que os religiosos desse país ajudem nas investigações das autoridades civis, além de determinar que os padres pedófilos assumam suas responsabilidades.

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