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27/03/2010 - 13h55

Porta-voz do Vaticano diz que pedofilia não enfraquece autoridade da Igreja

ANSA
CIDADE DO VATICANO, 27 MAR (ANSA) - O porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, disse hoje que os episódios de pedofilia divulgados recentemente em vários países e que envolvem religiosos causam danos, mas não enfraquecem a autoridade da Igreja Católica.

As palavras do representante da Santa Sé vão de encontro a opiniões publicadas pela imprensa internacional. A revista alemã Der Spiegel, por exemplo, declarou nos últimos dias que as denúncias fazem com que a autoridade do papa Bento XVI "diminua".

Em um comentário veiculado pela Rádio Vaticana, Lombardi ressaltou que o modo com o qual a Igreja confronta a questão dos abusos sexuais contra menores "é crucial para sua credibilidade moral".

Segundo ele, os ataques feitos pela mídia "indubitavelmente" provocaram danos, mas a autoridade do Pontífice e o empenho da Congregação para a Doutrina da Fé não foram "enfraquecidos" e sim "confirmados".

As mais recentes denúncias dizem respeito à alegação de que Bento XVI sabia que um padre pedófilo alemão voltara ao trabalho pastoral após ser transferido para a diocese de Munique e Freising, na época chefiada por ele. O The New York Times também acusou o Papa e o atual secretário de Estado do Vaticano, Tarcisio Bertone, de terem encoberto e deixado de punir um sacerdote acusado de ter molestado pelo menos 200 crianças surdas.

Além de Alemanha e Estados Unidos, surgiram denúncias de pedofilia envolvendo religiosos em países como Irlanda, Espanha, México, Itália, Canadá, Áustria, Holanda, Brasil e, neste sábado, França.

Em seu comentário, Lombardi afirmou que não surpreende que a questão dos abusos sexuais cometidos pelo clero continuou na mídia internacional mesmo depois da publicação da Carta Pastoral do Santo Padre aos Católicos da Irlanda, na qual o Pontífice se mostra envergonhado e sugere medidas concretas para combater a pedofilia na Igreja.

O porta-voz do Vaticano observou que reconhecer e expiar os episódios ocorridos há até dezenas de anos "é o preço do restabelecimento da justiça e daquela 'purificação da memória' que permite olhar com renovado compromisso (...) o futuro".

"Com humildade e confiança, e em espírito de penitência e esperança, a Igreja entra agora na Semana Santa e pede a misericórdia e a graça do Senhor, que sofre e ressurge para todos", acrescentou Lombardi.

O representante da Santa Sé afirmou que não se pode deixar de reconhecer o esforço feito pela Igreja para combater a pedofilia em seu seio e ressaltou que o número de acusações de abuso caiu mais de 30% no ano passado -- sendo que a maior parte se refere a mais de trinta anos atrás.

Ainda na nota publicada na Rádio Vaticana, o padre fala de "sinais positivos" que chegam das conferências episcopais. As ações realizadas pela Igreja incluem "cursos de formação e treinamentos, seja para os jovens, seja para todo o pessoal pastoral e educativo".

"Sem entrar em outros detalhes, deve-se reconhecer que as medidas decididas e em curso de atuação estão se manifestando eficazes. A Igreja nos Estados Unidos tomou o bom caminho para se renovar", comentou Lombardi, citando um dos países que está entre os que mais registram denúncias historicamente.

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