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05/04/2010 - 17h57

Cardeal chileno admite casos de pedofilia no país e critica campanha contra o Papa

ANSA
SANTIAGO DO CHILE, 5 ABR (ANSA) - O cardeal e arcebispo de Santiago, Francisco Javier Errázuriz, admitiu hoje a existência de casos de pedofilia no Chile, que "graças a Deus" são poucos, e considerou "injusto" envolver o papa Bento XVI nesse problema.

No Chile "há alguns abusos. Há poucos, graças a Deus", disse o cardeal, ao ser questionado, em entrevista a uma emissora local, sobre os registros de abusos contra menores no país.

Em agosto do último ano, um religioso espanhol foi preso em Santiago depois que a polícia encontrou uma pista relacionada a comércio de pornografia infantil na residência onde ele vivia.

"Com dor enorme, temos que reconhecer que também na Igreja houve sacerdotes ou religiosos que cometeram esse pecado", disse Javier Errázuriz, que ressaltou que as denúncias não são exclusivas da instituição católica, mas atingem também outros setores da sociedade.

A respeito da atuação do Vaticano, Errázuriz recordou as palavras de João Paulo II, "que dizia que não há espaço dentro do sacerdócio e da Igreja a pessoas que violentam dessa forma as crianças". Ele também defendeu Bento XVI, que "injustamente" tem sido alvo das críticas da mídia.

Ainda em relação às denúncias, o chileno foi questionado sobre o caso do sacerdote mexicano Marcial Maciel, fundador da congregação Legionários de Cristo, acusado de cometer abusos sexuais contra menores e que teve três filhos.

"Foi uma pessoa que, por um lado fundou uma congregação, com metas, e ao mesmo tempo teve esses problemas (...). Não sou psicólogo e nem psiquiatra, não consigo explicar", declarou, classificando tal caso como "monstruoso".

Nos últimos meses, religiosos foram denunciados em diversas partes do mundo por terem cometido ou encoberto crimes de pedofilia. Em decorrência disso, a atuação do Papa tem sido posta em prova também.

Na manhã de hoje, a Rádio Vaticana apontou a existência de uma "flagrante campanha difamatória" contra a Igreja Católica, "que, segundo alguns comentários, não quer atingir os padres pedófilos, mas Bento XVI".

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