UOL Notícias Notícias
 

05/04/2010 - 13h43

Rádio Vaticana fala novamente em campanha contra o Papa

ANSA
CIDADE DO VATICANO, 5 ABR (ANSA) - A Rádio Vaticana voltou a citar a existência de uma "flagrante campanha difamatória" sobre os casos de pedofilia que abalam a Igreja Católica, "que, segundo alguns comentários, não quer atingir os padres pedófilos, mas [o papa] Bento XVI".

De acordo com um texto publicado no site da agência da Santa Sé, as acusações sobre o "silêncio" do Pontífice em relação ao assunto durante as celebrações da Semana Santa ignoram "sua ação decisiva contra 'a sujeira na Igreja'".

A Rádio Vaticana afirmou que a "campanha" orquestrada se torna "ainda mais estranha e paradoxal" ao se pensar no exemplo dos Estados Unidos, onde os sacerdotes católicos envolvidos em casos de pedofilia são menos de 0,03%.

O texto citou "um relatório governamental norte-americano de 2008 sobre abusos". "Mais de 64% são cometidos por pais, parentes ou parceiros, ou seja, dentro das relações familiares; nas escolas, quase 10% dos jovens sofrem moléstias", acrescentou a agência.

"No que se refere aos sacerdotes católicos envolvidos, estima-se que sejam menos de 0,03%", apontou o veículo.

Hoje, a imprensa internacional criticou a atitude de Bento XVI de não comentar os episódios de pedofilia nas solenidades do final de semana. O jornal britânico The Times titulou que a "mensagem de Páscoa do Papa ignora o escândalo dos abusos sexuais".

O periódico reportou que o Pontífice "não fez 'mea culpa' sobre a crise da pedofilia, enquanto o cardeal [Angelo] Sodano [decano dos cardeais] insistiu no fato de que a Igreja não se deixará intimidar por fofocas" da opinião dominante.

O jornal informou ainda que em Dublin, na Irlanda -- um dos países onde as denúncias são mais intensas -- a celebração foi assinalada por protestos de fieis, sendo que alguns deles teriam colocado calçados de criança sobre o altar para lembrar das vítimas, enquanto outros gritaram "vergonha" ao arcebispo Diarmuid Martin.

Já o Guardian ressaltou que enquanto "os bispos em toda a Europa aproveitaram a Páscoa para pedir desculpa e reconhecer os danos causados pelos escândalos, o Pontífice permaneceu impenitente".

O norte-americano The Washington Post questionou em um editorial assinado por Timothy Shriver se "o Papa poderá restabelecer a pureza do catolicismo" e comparou a crise da Igreja ao caso Watergate, escândalo de espionagem que derrubou o ex-presidente dos Estados Unidos Richard Nixon.

Por sua vez, o The New York Times -- que publicou denúncias com referências diretas a Bento XVI e a suspeitas de que ele teria acobertado episódios e deixado de punir padres pedófilos -- afirmou que as defesas em favor do Pontífice "são expressões do remorso sobre abusos de alguns púlpitos da Europa".

Também falaram sobre o silêncio de Bento XVI durante a Semana Santa, e o apoio manifestado a seu favor por diversos religiosos, o espanhol El País, o francês Le Figaro e a revista alemã Der Spiegel.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,12
    3,283
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h21

    -0,05
    63.226,79
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host