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06/04/2010 - 11h05

Chanceler italiano condena silêncio do país sobre dissidentes cubanos

ANSA
ROMA, 6 ABR (ANSA) - O ministro das Relações Exteriores da Itália, Franco Frattini, disse estar "estupefato" com o silêncio que existe em seu país em relação ao caso dos 75 opositores cubanos detidos em 2003, chamados de "prisioneiros de consciência".

"Quando se trata de dissidentes chineses ou birmaneses, ou de outros países ao redor do mundo, existem interrogações, protestos, manifestações. Neste caso, há sobretudo silêncio", declarou o chanceler em entrevista à imprensa local.

As detenções em Cuba chamaram a atenção internacional após a morte de Orlando Zapata Tamayo, que faleceu em fevereiro após 85 dias de greve de fome em um protesto contra a situação dos presos de consciência -- grupo do qual fazia parte.

Posteriormente, o também dissidente Guillermo Fariñas iniciou uma manifestação semelhante e que já dura mais de um mês. Ele pede a libertação de 26 dos prisioneiros políticos, que estariam doentes.

"Há um senhor que se deixou morrer de fome e sede, um outro ao qual poderia acontecer a mesma coisa, e [o presidente Raúl] Castro diz que está tentando", continuou o ministro. "Se começar a desacreditar a dissidência, não se sabe onde se pode acabar", afirmou.

"A Europa não pode fazer concessões. Não daremos, neste contexto, o nosso consenso a uma normalização das relações", ressaltou Frattini. "Devemos ser claros e firmes ao confirmar que sustentamos a tutela da livre informação dos cubanos e da salvaguarda de seus direitos fundamentais", apontou.

Piero Fassino, responsável pelos assuntos exteriores do Partido Democrata (PD) -- principal força de oposição ao governo italiano -- concordou com o chanceler sobre a "necessidade de uma mobilização de consciência mais forte em relação a Cuba" no país europeu.

O político também comentou a ideia lançada recentemente de que o Prêmio Nobel da Paz seja concedido às Damas de Branco, grupo de mulheres que incluem as mães e esposas de alguns dos 75 prisioneiros de consciência e que protestam a favor dos detidos políticos de Cuba.

"É uma proposta de valor moral e político muito forte", afirmou Fassino. "É certo avançá-la, depois será o júri do prêmio Nobel a tomar a decisão final", disse ele em entrevista à imprensa.

"Penso que as Damas de Branco serão apoiadas de todo modo porque estão conduzindo uma batalha pela liberdade e a democracia, não somente por seus cônjuges mas por todos os cidadãos cubanos", acrescentou.

"Considerando que o Nobel da Paz se tornou um instrumento de relevância política, me parece que entregá-lo às Damas de Branco seja uma ótima ideia", concordou o subsecretário do Ministério das Relações Exteriores da Itália, Alfredo Mantica.

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