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08/04/2010 - 12h35

Para revista católica, governos não combatem a pedofilia

ANSA
CIDADE DO VATICANO, 8 ABR (ANSA) - A revista católica italiana Famiglia Cristiana afirmou hoje que os governos são inativos no combate à pedofilia, ao defender a postura do papa Bento XVI diante das denúncias de abusos sexuais que teriam sido cometidos por religiosos em diversas partes do mundo.

"Qual Estado já se preocupou seriamente com o abuso sexual de menores como fenômeno social?", questiona a publicação em um editorial, ressaltando que "o Papa age, os Estados não".

O texto também aponta todas as iniciativas da Igreja Católica para "investigar, denunciar e assumir publicamente o problema, perseguindo-o publicamente".

Segundo a revista, "não há dúvidas de que a pedofilia é uma 'vergonha e uma desonra' para a Igreja Católica", sendo que "o próprio Pontífice já lamentou dramaticamente quanta sujeira há na Igreja quando ainda era prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé".

O editorial ainda recorda que "importantes estudiosos internacionais de sociologia aplicada às religiões demonstraram que, entre os pastores protestantes, o percentual de condenação por abusos contra menores é o dobro em relação aos sacerdotes católicos, que nos últimos 50 anos foram uma centena nos Estados Unidos e tantos outros no resto do mundo".

"E é até mesmo dez vezes mais alto [o percentual, ndr.] entre os professores de ginástica e os treinadores de equipes juvenis", compara a publicação.

A Igreja Católica vem enfrentando nos últimos meses uma série de denúncias de pedofilia em vários países, como Estados Unidos, França, Suíça, Irlanda, Alemanha, Espanha, México, Itália, Áustria, Holanda, entre outros.

Alguns veículos de imprensa e autoridades políticas questionam a postura de Bento XVI em relação às suspeitas.

Recentemente, o jornal norte-americano The New York Times publicou uma reportagem na qual afirmava que Joseph Ratzinger (nome de batismo de Bento XVI), quando era arcebispo de Munique e Freising (1977-1982), na Alemanha, não impediu que um padre pedófilo retomasse as atividades pastorais.

A publicação também disse que o Papa teria conhecimento de casos cometidos na época em que era prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, cargo que deixou para assumir o posto máximo da Igreja Católica. O Vaticano, por sua vez, explicou a atividade do Pontífice naquele período e o eximiu de qualquer responsabilidade.

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