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09/04/2010 - 17h27

Imprensa mundial divulga novas denúncias sobre atuação do Papa em casos de pedofilia

ANSA
NOVA YORK, 9 ABR (ANSA) - Novas denúncias que envolveriam diretamente o papa Bento XVI e outras autoridades da Igreja Católica, na condução dos casos de acusados de pedofilia, foram divulgadas hoje em distintos países, entre os quais Alemanha e EUA.

De acordo com o jornal norte-americano The Washington Post, Bento XVI, quando ainda era cardeal, em 1985, desaconselhou que um sacerdote californiano, acusado de ter abusado de menores, fosse reduzido ao estado laico.

A publicação citou fragmentos de uma carta de Joseph Ratzinger, na qual o então prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé expressou sua preocupação pelas consequência que a remoção do sacerdote poderia ter "para o bem a Igreja universal".

A carta, dirigida à diocese de Oakland, fazia parte de uma série de correspondências que durante anos discutiram os crimes do padre Stephen Kiesle. O Vaticano confirmou que a assinatura presente no texto seria a de Ratzinger.

Já o The New York Times publicou hoje que, em 1998, o Vaticano teria ordenado que o processo canônico contra o sacerdote Lawrence Murphy, acusado de ter abusado de 200 crianças surdas no estado de Wisconsin, "fosse paralisado".

De acordo com o padre Thomas Brundage, ex-vigário judicial da diocese de Milwaukee, o processo canônico [dos tribunais eclesiásticos] foi "congelado" devido ao "frágil" estado de saúde do acusado.

Anteriormente, a Santa Sé já havia alegado que, quando soube dos casos, Murphy já era "idoso, estava em precárias condições de saúde, vivia em isolamento e por mais de 20 anos não tinham sido denunciados outros abusos".

Também nesta sexta-feira foi divulgado no Canadá que, nos anos 90, a Igreja local, junto ao Vaticano, tentou manter segredo sobre o caso de um religioso acusado e, depois condenado, por atos de pedofilia.

O caso foi reconstituído pelo The Globe and Mail, que relata a situação de Bernard Prince, que fora enviado a Roma após ter sido acusado em seu país.

O sacerdote, citado pela polícia canadense por ter abusado de pelo menos 13 jovens entre 1964 e 1984 na diocese de Pembroke, foi considerado culpado e condenado à prisão em 2005, mas ainda não cumpriu sua pena.

Na terra natal do Papa foi divulgado outro episódio envolvendo um membro da Igreja Católica. Desta vez, o bispado da cidade alemã de Erfur, leste do país, informou ter denunciado às autoridades civis um sacerdote que admitiu ter cometido abusos sexuais contra quatro jovens entre 1980 e 1996 na localidade de Miltenberg.

Em nota, a diocese admitiu também que foi "um erro" ter enviado o sacerdote à atividade pastoral à prisão para menores de Ichtershausen entre 2004 e 2006.

Por outro lado, na Holanda, foi noticiado que três religiosos acusados de cometerem abusos contra menores foram suspensos. Estas são as primeiras medidas adotadas após as autoridades eclesiásticas desse país confrontarem casos de pedofilia, que foram cometidos entre as décadas de 1950 e 1970.

De acordo com o padre Herman Sprock, os denunciados, que ainda desempenhavam atividades vinculadas aos jovens, aceitaram suas suspensões.

Ainda nesta sexta-feira, em declarações à ANSA, o porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, anunciou a divulgação das diretrizes da Santa Sé em relação às acusações.

Segundo ele, a Santa Sé deverá divulgar em breve quais são as orientações canônicas destinadas aos bispos que se deparem com denúncias de pedofilia.

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