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09/04/2010 - 10h03

Porta-voz diz que Papa está disposto a encontrar vítimas de pedofilia outra vez

ANSA
CIDADE DO VATICANO, 9 ABR (ANSA) - O papa Bento XVI está à disposição para manter "novos encontros" com pessoas que sofreram abusos sexuais da parte de membros da Igreja Católica, informou hoje o porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi.

"Muitas vítimas não procuram compensações econômicas, mas ajuda interior, um julgamento em suas dolorosas histórias pessoais", acrescentou o religioso.

Lombardi retomou a carta pastoral aos católicos irlandeses, lida pelo Pontífice em 20 de março, e na qual ele afirma "estar disponível para novos encontros" e expressa "vergonha" pelos crimes de pedofilia cometidos por sacerdotes daquele país e acobertados por 60 anos.

"O papa Bento XVI, guia coerente no caminho do rigor e da veracidade, merece todo o respeito e o apoio dos que lhe endereçam amplos testemunhos de todas as partes da Igreja", apontou o porta-voz em texto veiculado pela Rádio Vaticana.

"Ele é um pastor à altura para confrontar com alta retidão e segurança este tempo difícil, no qual não faltam críticas e insinuações infundadas; sem preconceito, deve ser afirmado que é um papa que falou muito da verdade de Deus e do respeito à verdade", relatou.

Ainda elogiando o Pontífice, Lombardi falou da "constância necessária para crescer na verdade, na transparência, continuando a manter amplo o horizonte sobre os graves problemas do mundo, respondendo com paciência ao fluxo de 'revelações' parciais ou presumidas que tentam desgastar sua credibilidade ou de outras instituições e pessoas da Igreja".

O porta-voz da Santa Sé também comentou as punições que devem ser dirigidas aos padres pedófilos, paralelamente "à atenção às vítimas".

"É preciso continuar a implementar com decisão e veracidade os procedimentos corretos do julgamento canônico dos culpados e da colaboração com as autoridades civis, no que se refere a sua competência judiciária e penal, mantendo em vista as especificidades das normas e das situações nos diversos países", disse ele.

"Só assim se pode pensar em reconstituir efetivamente um clima de justiça e de plena confiança na instituição eclesial", completou Lombardi, afirmando que, aparentemente, o número de novas denúncias tem diminuído -- o que seria resultado da atenção das dioceses no combate à pedofilia.

"Fizeram bem aqueles episcopados que tomaram com coragem o desenvolvimento das vias e locais de livre expressão das vítimas e de sua escuta, sem dar por certo que o problema tivesse sido abordado e superado com os centros de apoio já instituídos tempos atrás", completou.

"Mas, enquanto as leis civis intercedem com normas gerais, as canônicas devem observar a particular gravidade moral da prevaricação da confiança colocada nas pessoas com responsabilidade na comunidade eclesial, e da flagrante contradição com a conduta que deveriam declarar", continuou.

Por isso, segundo o porta-voz do Vaticano, "a transparência e o rigor se impõe como exigências urgentes de um testemunho de governo sábio e justo na Igreja".

Ainda em seu comentário, Lombardi falou que "a formação e a seleção dos candidatos ao sacerdócio, e mais geralmente das pessoas das instituições educativas e pastorais, são a premissa para uma eficaz prevenção de possíveis abusos".

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