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09/04/2010 - 13h47

Presidência do Uruguai nega que Mujica fará lei para beneficiar repressores idosos

ANSA
MONTEVIDÉU, 9 ABR (ANSA) - O presidente do Uruguai, José Mujica, não apresentará ao Congresso um projeto de lei que permite a prisão domiciliar de repressores da ditadura militar que tenham mais de 70 anos de idade, garantiu o secretário da presidência, Alberto Breccia.

Em entrevista ao jornal La República, o funcionário do governo disse que nem o mandatário e nem outro membro de seu gabinete está trabalhando para uma iniciativa deste tipo.

"Não há intenções, somente declarações", assegurou Brecha, referindo-se às ocasiões públicas em que Mujica abordou o projeto, o qual recebeu diversas críticas de organizações de direitos humanos e de membros da coalizão governista Frente Ampla.

O presidente, ex-guerrilheiro tupamaro que passou mais de dez anos preso durante a ditadura militar do país (1973-1985), havia declarado à revista Búsqueda que seu governo enviaria ao Congresso um projeto de lei que beneficiaria detentos com mais de 70 anos.

Mujica explicou que isto seria uma espécie de "ferramenta" que permitiria a juizes colocar em liberdade ou em prisão domiciliar os presos de idade avançada, inclusive os repressores.

"Para mim, se estão acima de 70 anos, entram nesta categoria e ponto", disse o mandatário, que tomou posse no último dia 1º de março.

No entanto, a revista Brecha publicou hoje que "fontes próximas ao presidente" contaram que Mujica não irá desistir deste projeto, porque, para ele, interessa mais "o gesto que o resultado".

A iniciativa seria uma forma de amenizar o problema da superlotação nas cadeias, já que, entre os anos 2000 e 2007, o número de detentos passou de 4.368 a 7.004. Estima-se que hoje a cifra supere os nove mil.

O Partido Socialista, que integra a coalizão governista, anunciou que, assim como outros setores da Frente Ampla, é contrário à iniciativa, sendo que alguns legisladores ameaçaram até renunciar.

"Não estaria disposto, de modo algum, a votar um projeto com estas características. Preferiria sair do Parlamento", disse o senador Enrique Rubio.

"Entendo as declarações do presidente no sentido de que ele também esteve na prisão, mas penso que isto é uma posição pessoal e aqui está em jogo mais do que uma posição pessoal", comentou à ANSA Macarena Gelman, neta do poeta argentino Juan Gelman e que teve os pais sequestrados pela ditadura.

Mujica foi eleito presidente do Uruguai em novembro do ano passado, ao vencer, no segundo turno das eleições locais, com mais de 53% dos votos, o candidato do Partido Nacional, Luis Lacalle.

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