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10/04/2010 - 13h54

Vaticano relutou em caso de pedófilo devido a queda no número de padres, diz ex-bispo

ANSA
NOVA YORK, 10 ABR (ANSA) - O ex-bispo da cidade norte-americana de Oakland, John Cummins -- que pediu ao Vaticano várias vezes a redução ao estado laico do padre pedófilo Stephen Kiesle -- atribuiu a relutância da Santa Sé no caso ao grande número de religiosos que estavam abandonando o sacerdócio na época.

"Em consequência disto, o papa João Paulo II abrandou as coisas e tornou o processo muito mais ponderado", afirmou Cummins em declarações ao The New York Times.

O período ao que o ex-bispo se refere é posterior ao Concílio Vaticano II, que foi realizado entre 1962 e 1965 e trouxe várias mudanças à Igreja Católica. As reformas, porém, não foram unanimemente aceitas e geraram desagrado em alguns segmentos.

O caso de pedofilia que envolve Stephen Kiesle veio à tona ontem, em reportagem do The Washington Post.

O jornal apontou que o então cardeal Joseph Ratzinger (nome de batismo do atual Papa, Bento XVI), que na época comandava a Congregação para a Doutrina da Fé, expressou em carta sua preocupação pelas consequências que a remoção do sacerdote poderia ter "para o bem da Igreja universal".

A missiva era dirigida à diocese norte-americana e fazia parte de uma correspondência que discutia a conduta do padre Kiesle e seu eventual retorno ao status de leigo. O Vaticano confirmou que a assinatura presente no texto seria a do Pontífice.

O advogado da Santa Sé nos Estados Unidos Jeffrey Lena declarou que Ratzinger disse ao bispo de Oakland que impedisse o pedófilo de cometer novos abusos enquanto a Igreja trabalhava em seu caso. Segundo ele, a recomendação de "máximo cuidado paternal" contida na carta se referia a esse pedido.

Citado por agências internacionais, Lena explicou que nenhum outro caso de violência contra menores foi atribuído a Kisle entre 1981, quando a remoção do padre foi recomendada pela primeira vez, e 1987, ano em que ele finalmente deixou a batina.

Neste sábado, o porta-voz da diocese de Oakland Mike Brown informou que as autoridades eclesiásticas locais reexaminarão durante o fim de semana o episódio do religioso pedófilo.

"A diocese não pode trabalhar sozinha na redução de um padre ao estado laico. É parte de um processo colaborativo", ressaltou ele.

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