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12/04/2010 - 13h31

Entidades contra pedofilia comentam diretrizes do Vaticano sobre casos de abuso

ANSA
CIDADE DO VATICANO, 12 ABR (ANSA) - Entidades de apoio a vítimas de pedofilia nos Estados Unidos e na Itália comentaram as diretrizes publicadas hoje pelo Vaticano que orientam os procedimentos da Igreja em relação aos casos de abuso.

"Só um mínimo progresso, no sentido mais limitado possível", criticou a norte-americana Survivors Network of Those Abused by Priests - Snap (Rede de sobreviventes dos violentados por padres, em tradução livre), uma das principais organizações de ajuda às vítimas.

A presidente da entidade, Barbara Blaine, assinalou que a atitude da Santa Sé de tornar "um pouco mais acessível um texto reservado até hoje, parcial e respeitado de modo extemporâneo", é apenas um pequeno passo.

"As propostas da Igreja (...) são largamente irrelevantes. Os bispos virtualmente não respondem a ninguém e podem facilmente ignorá-las. Devemos dar atenção a comportamentos, não só a regras; a irregularidades, não a palavras", ressaltou ela.

"Não é pela falta de procedimentos que os padres pedófilos permanecem ainda trabalhando e os bispos escondem os crimes. O que falta é a coragem. Os instrumentos para intervir existem, mas tragicamente os bispos se recusam a usá-los. A principal preocupação é defender suas reputações, não a segurança dos fieis", acrescentou Blaine.

O texto divulgado hoje pela Santa Sé informa que denúncias de abusos na Igreja devem ser obrigatoriamente reportadas às autoridades civis e que, em casos "verdadeiramente graves", só é necessário o aval do Pontífice para reduzir o religioso culpado ao estado laico.

"Este passo do papa [Bento XVI] já é algo de mais concreto comparado às simples palavras das semanas passadas", declarou Roberto Mirabile, presidente da associação italiana La Caramella Buona.

"São primeiros passos tímidos. Por isso, peço novamente ao Papa para solicitar explicitamente a cada bispo italiano se tem notícias de pedofilia da parte de seus sacerdotes. Se em alguns casos isto aconteceu, e tenho certeza que é assim, chegou o momento de que o Santo Padre faça a limpeza na casa", continuou.

Já o fundador da associação Meter, padre Fortunato Di Noto, disse em entrevista à Rádio Vaticana que o "Papa fechou este episódio de maneira egrégia", com "instruções claras, duras e fortes".

Para ele, a iniciativa do Vaticano "demonstra que a Igreja tem a coragem de combater uma praga como a da pedofilia com toda a dureza necessária".

"O Papa, este Papa, rebateu ainda uma vez de que parte está: da parte das crianças e vítimas. E nós não podemos nada além de estar com ele", completou o religioso.

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