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18/04/2010 - 17h40

(Especial) Fortalecimento da Igreja e geopolítica estão entre os desafios de Bento XVI

ANSA
Por CAROLINE MAZZONETTO E BEATRIZ FARRUGIA

SÃO PAULO, 16 ABR (ANSA) - Bento XVI, que completa nesta segunda-feira o quinto aniversário de seu Pontificado, terá pela frente vários desafios, como a busca pelo entendimento entre os povos, a recuperação do Concílio Vaticano II e o fortalecimento da Igreja.

Em declarações à ANSA, o Primaz do Brasil e arcebispo de Salvador, Dom Geraldo Majella Agnelo, apontou que os problemas em relação à falta de verdade, justiça e fraternidade são os pontos sobre os quais a Santa Sé não pode se calar, "não só internamente, mas perante o mundo".

"O desgaste é geral em toda parte, em todo comportamento humano. Isso toca muito de perto a vida humana e, portanto, as condições para a verdadeira paz. Estamos numa época em que é tão difícil qualquer entendimento político dentro dos países e entre os países", explicou o cardeal.

Já Frei Betto, um dos maiores nomes da Teologia da Libertação no Brasil, considerou a retomada dos avanços propostos pelo Concílio Vaticano II (1962-1965) como uma das principais situações que o Papa deverá enfrentar, apesar de suas disposições em contrário.

"Infelizmente, ele não se nota disposto a isso, a aplicar efetivamente tudo que se propôs no Vaticano II, as enormes mudanças na Igreja. Paulo VI [1963-1978] fez avançar, mas foi travado por João Paulo II [1978-2005] e muito mais por Bento XVI", opinou o frade.

Para exemplificar as atitudes tomadas pelo Pontífice que contrariam as mudanças progressivas aprovadas no evento católico, Frei Betto citou a restauração das missas em latim, em 2007, "liturgias que o Concílio considerava arcaicas".

"A Igreja tem que assumir o Vaticano II, não pode jogar para debaixo do tapete. Estamos vendo um retrocesso diante daquilo", acrescentou.

Já o teólogo Fernando Altemeyer Júnior, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), colocou como primeiro desafio do Papa o enfrentamento das denúncias de pedofilia que se referem a membros do clero em diversos países, entre eles Alemanha, Brasil, Estados Unidos, Irlanda e Itália.

"A outra questão é que Bento XVI vai ter que reivindicar os grandes temas geopolíticos da Igreja Católica", assinalou Altemeyer.

Em relação a isso, o teólogo citou a Assembleia Especial para o Oriente Médio do Sínodo dos Bispos, convocada pela Santa Sé e marcada para os dias 10 a 24 de outubro deste ano, que "vai ser algo importante, como o próprio nome".

Outros assuntos em destaque serão o encontro entre o Pontífice e o patriarca ortodoxo de Moscou e de todas as Rússias, Kirill, cuja realização vem sendo orquestrada pelo Vaticano e que é "fundamental" para "aproximar os católicos dos russos". Altemeyer ainda falou da China, classificando-a "como o grande campo missionário da Igreja".

Curiosamente, Joseph Ratzinger nasceu em um Sábado Santo, no dia 16 de abril de 1927, na Alemanha. Vivendo sob o regime nazista e em meio à grande hostilidade contra a Igreja Católica, ele descobriu, naquela época, "a beleza e a verdade da fé em Cristo", segundo aponta sua biografia divulgada no site do Vaticano.

Eleito à sucessão de João Paulo II em 19 de abril de 2005, Ratzinger se tornou o 265º papa da História e o primeiro a iniciar um Pontificado no século XXI. Acreditava-se que sua escolha devia-se ao fato de que o cardeal, que estava com 78 anos, dificilmente exerceria um Papado extenso. Agora, o mundo volta os olhos para o Vaticano a fim de observar como Bento XVI confrontará seus desafios e a crise atual enfrentada pela Igreja.

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