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24/04/2010 - 21h14

Piñera diz que morte de ex-nazista não impedirá investigações de crimes sexuais

ANSA
SANTIAGO DO CHILE, 24 ABR (ANSA) - O presidente do Chile, Sebastián Piñera, disse que a morte do ex-suboficial nazista Paul Schaefer, condenado por numerosos crimes no país, não impedirá a perseguição aos que cometeram abusos contra crianças.

"A morte de Paul Schaefer impede continuar o processo penal, porque não há processo penal neste mundo contra os mortos. Apesar disso, todos sabemos que existe uma justiça que nunca termina, que é a justiça divina", declarou o mandatário.

Schaefer chegou ao Chile em 1960 e logo depois fundou a Colônia Dignidade, que promovia a vinda de alemães para viver em um regime similar a um campo de concentração. A partir de 1973, o local passou a manter vínculos com a ditadura militar de Augusto Pinochet (1973-1990).

O ex-nazista foi preso em 2005, na Argentina -- depois de ter permanecido por sete anos sob o amparo de uma poderosa rede de proteção -- e rapidamente extraditado ao Chile. Atualmente, cumpria pena por homicídio qualificado, infração à lei de armas e abuso sexual contra menores, cometidos quando chefiava a colônia.

Ele faleceu no início da manhã de hoje, no hospital penitenciário de Santiago, devido a uma doença cardíaca crônica.

"Não vamos deixar impune nenhum crime que se cometa contra um menino ou uma menina em nosso país e eu, como presidente, vou me preocupar pessoalmente para que todos os organismos do estado tenham os meios necessários", afirmou Piñera. "E se precisar endurecer as penas, vamos endurecê-las", completou.

Hoje conhecida como Villa Baviera, a Colônia Dignidade ainda existe, mas com uma configuração diferente. No momento, os moradores do local estão deliberando para definir se aceitarão que os restos mortais de Schaefer sejam sepultados ali, conforme um de seus últimos desejos.

Ricardo Alvear, que foi porta-voz da comunidade quando ela era chefiada pelo ex-suboficial nazista, declarou que lamenta que o alemão "não tenha reconhecido antes de falecer sua participação em violações aos direitos humanos", e que não tenha absolvido os "inocentes" que "hoje enfrentam a justiça".

"Lamento muito que não se tenham podido esclarecer causas judiciais nas que ele, segundo minha opinião, poderia ter se declarado" em favor de "muitos da comunidade que estão envolvidos e são inocentes", apontou.

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