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25/04/2010 - 15h12

Moradores de Villa Baviera rejeitam enterrar ex-nazista Paul Schaefer no local

ANSA
SANTIAGO DO CHILE, 25 ABR (ANSA) - Os moradores da ex-Colônia Dignidade, atualmente conhecida como Villa Baviera, rechaçaram sepultar em um cemitério do local o fundador da comunidade, o ex-suboficial nazista Paul Shaefer, falecido ontem aos 88 anos.

O porta-voz do lugar, Martin Matusse, afirmou que "a grande maioria" dos habitantes concordaram que o alemão "não vai ser enterrado neste território". "Definitivamente não", ressaltou ele.

A solicitação foi um dos últimos pedidos de Schaefer, que morreu no hospital penitenciário de Santiago, devido a uma insuficiência cardíaca. Ele cumpria pena por homicídio qualificado, infração à lei de armas e abuso sexual contra menores. O cadáver do alemão permanece em uma capela funerária na localidade de Independencia, a norte de Santiago, onde chegou acompanhado somente da filha adotiva Rebeca. Ela não deu detalhes à imprensa sobre as exéquias.

Schaefer chegou ao Chile em 1960 e logo depois fundou a Colônia Dignidade-- uma fazenda com 17 mil hectares na região centro-sul do Chile --, que promovia a vinda de alemães para viver em um regime similar a um campo de concentração.

A partir de 1973, o local passou a manter vínculos com a ditadura militar de Augusto Pinochet (1973-1990). Com a morte do ex-nazista, vários processos que corriam contra ele por sequestro e associação ilícita ficaram pendentes.

"A Villa Baviera tomou um rumo diferente desde o ano 2000 e se consolidou bastante nestes anos. Já não temos nada que ver com o senhor Schaefer ou com o que ele fez", acrescentou Matusse.

"Não morremos com ele. Tomamos distância do passado. Nunca teríamos um descaso sobre este tema. A melhor solução seria enterrá-lo na Alemanha, onde nasceu. Seria um alívio para nós aqui", disseram outros colonos, após uma assembleia geral.

"Pedimos desculpas mais uma vez se mediante atos, omissões ou por ignorância, pessoas desta comunidade, no passado, causaram danos", completou Matusse.

De acordo com ele, "evidentemente o senhor Schaefer foi, é e será uma pessoa controversa, de muitas sombras, mas também de luzes". "Deixamos o julgamento de sua vida ao tempo, à história e, obviamente, desde hoje ao próprio Deus eterno", apontou.

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