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28/04/2010 - 09h29

Em debate, candidata à presidência da Colômbia fala de acordo militar entre Brasil e EUA

ANSA
BOGOTÁ, 28 ABR (ANSA) - A candidata à presidência da Colômbia pelo Partido Conservador, Noemi Sanín, elogiou a forma com que o Ministério das Relações Exteriores do Brasil tratou recentemente a assinatura de um acordo de cooperação militar com os Estados Unidos.

Durante um debate realizado na noite de ontem entre os principais presidenciáveis, Sanín -- cujo partido integra a base de apoio do mandatário Álvaro Uribe -- comentou que este tratado foi assinado sem causar "problemas com os vizinhos", o oposto do que aconteceu quando Bogotá fechou um acordo militar com Washington no ano passado.

Para ela, "faltou habilidade" ao governo colombiano para "vender o tratado" e evitar que países sul-americanos, como Venezuela e Equador, vissem-no como uma "ameaça" à soberania e à segurança da região.

O acordo entre Colômbia e EUA prevê o envio de um contingente de até 1.400 soldados norte-americanos para operar em sete bases em território colombiano durante dez anos.

Já o tratado entre Brasil e EUA, anunciado no início do mês, tem como objetivo facilitar a compra de equipamentos e a troca de informações entre as Forças Armadas dos dois países. Brasília e Washington negam que o documento contemple o uso de bases.

O ex-ministro da Defesa e candidato governista à presidência da Colômbia, Juan Manuel Santos, defendeu, por sua vez, que foi feita uma "tempestade em copo d´água" em relação ao acordo firmado entre seu país e os Estados Unidos.

Santos se referiu às críticas contra Bogotá e às reuniões convocadas pela União das Nações Sul-Americanas (Unasul) para analisar a questão.

Germán Vargas Lleras, do Partido Mudança Radical, informou que não revisará o tratado caso seja eleito, enquanto o candidato do Polo Democrático Alternativo, Gustavo Petro, anunciou que desaprova o documento, argumentando que ele não "é válido".

O presidenciável do Partido Verde, Antanas Mockus -- que nas últimas pesquisas de intenção de voto ultrapassou Santos e mantém 38% das preferências, contra 29% do governista --, repudiou uma possível interferência norte-americana nos assuntos internos colombianos.

De acordo com ele, nenhum país deve impor condições à Colômbia, nem os EUA em relação à Venezuela, e nem a Venezuela em relação aos EUA. A mesma postura foi defendida por Petro, Lleras e Rafael Pardo, do Partido Liberal.

De modo geral, todos os presidenciáveis lamentaram que a campanha eleitoral esteja sendo marcada por declarações de chefes de Estado de outros países, como o venezuelano Hugo Chávez e o equatoriano Rafael Correa.

Segundo Santos, que teve uma ordem de prisão emitida por Quito, "Chávez e Correia querem me deter na corrida à Presidência e isso é muito grave".

O Equador acusa o candidato governista de ser um dos mandantes intelectuais de um ataque do Exército colombiano contra um acampamento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em território equatoriano. A incursão militar foi realizada em 1º de março de 2008 e causou a morte de 26 pessoas.

Durante o debate, Santos também questionou uma declaração de Mockus, que comentou recentemente que permitiria uma extradição do presidente Álvaro Uribe ao Equador -- devido ao ataque militar --, caso a Justiça de Bogotá o permitisse.

No entanto, ontem o candidato do Partido Verde demonstrou mudança de posição, ao afirmar que "uma razão de Estado não pode ser objeto de ação penal, não tem argumento, não tem sustentação. Não existe vontade e nem é tecnicamente possível".

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