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12/05/2010 - 08h48

Bento XVI pede para cultura não negar tradições da fé

ANSA
ROMA, 12 MAI (ANSA) - O papa Bento XVI pediu para o "mundo da cultura" não negar as tradições da fé, ao se reunir nesta manhã com intelectuais portugueses, em Lisboa, como parte das atividades da viagem apostólica que realiza ao país até sexta-feira.

"Hoje, a cultura reflete uma 'tensão' que, às vezes, toma a forma de um conflito entre o presente e a tradição. A dinâmica da sociedade prioriza o presente, descolando-o do patrimônio cultural do passado e sem a intenção de projetar um futuro", comentou o Pontífice.

"Tais valorizações do 'presente', inspiradas no sentido da vida, seja individual ou social, confrontam-se com a forte tradição cultural do povo português, profundamente marcada pela milenar influência do cristianismo e com um senso de responsabilidade global", observou o Papa.

Segundo Bento XVI, "este conflito entre a tradição e o presente se exprime na crise da verdade, mas unicamente esta pode orientar e traçar o sentido de uma existência bem-sucedida, seja como indivíduo ou povo".

"Um povo que deixa de saber qual é a própria verdade termina perdido no labirinto do tempo e da história, privado de valores claramente definidos", assinalou.

A reunião ocorreu no Centro Cultural de Belém e contou com a presença de centenas de personalidades das áreas de ciência e cultura, como o cineasta Manoel de Oliveira, de 101 anos de idade.

Aplaudido ao chegar ao local do encontro, Bento XVI elogiou Oliveira, que, por sua vez, demonstrou comoção pelas palavras do Pontífice. "Fez-se porta-voz o cineasta Manoel de Oliveira, de venerada idade e carreira, ao qual envio minha saudação plena de admiração e afeto", disse o Papa.

Depois da execução de uma música, o bispo de Porto e presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais, Manuel Clemente, foi o responsável por saudar o Pontífice.

Bento XVI também pediu para que as pessoas relacionadas às produções culturais "dialoguem com os crentes".

"Obreiros da cultura em toda sua forma, criadores do pensamento e da opinião, vocês têm, graças aos seus talentos, a possibilidade de falar diretamente ao coração da humanidade, de tocar a sensibilidade individual e coletiva, de suscitar sonhos e esperanças", defendeu o Papa.

"Não tenham medo de se confrontar com a primeira e última beleza, de dialogar com os crentes, os quais, como vocês, sentem-se peregrinos no mundo e na história em relação à beleza infinita", encorajou.

Referindo-se ao Concílio Vaticano II, Bento XVI também destacou que "a Igreja, partindo de um renovado conhecimento da tradição católica, séria e discernente, transfigura e supera as críticas que são a base das forças que têm caracterizado a modernidade, ou seja, a Reforma e o Iluminismo".

"Assim, por si própria, a Igreja acolhe e recria o melhor das instâncias da modernidade, de um lado superando-a e, de outro, evitando os seus erros", acrescentou.

De acordo com a agenda divulgada pela Santa Sé, ainda hoje o Papa deve se encontrar com o primeiro-ministro português, José Sócrates, e, à tarde, viajar para a cidade de Fátima, onde amanhã celebrará o décimo aniversário da beatificação dos pastorinhos Jacinta e Francisco.

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