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15/05/2010 - 14h57

(Entrevista) Lampreia acredita que Lula irá fracassar em tentativa de diálogo com Irã

ANSA
Por BEATRIZ FARRUGIA

SÃO PAULO, 15 MAI (ANSA) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve fracassar na tentativa de diálogo com o governo de Mahmoud Ahmadinejad sobre o programa nuclear iraniano, afirma à ANSA o ex-ministro das Relações Exteriores Luiz Felipe Lampreia.

"Eu acho muito pouco provável que ele consiga algum resultado nesse assunto, porque já foi tentado muitas vezes e o Irã tem um objetivo nacional definido, no sentido de ter uma capacidade nuclear completa, inclusive de enriquecer urânio para ter, se for necessário, bombas", opina o diplomata, ao falar sobre a viagem de Lula ao Irã, que será iniciada hoje.

De acordo com Lampreia, é possível que o governo iraniano prometa que seu programa nuclear tem fins pacíficos e dê garantias à comunidade internacional, mas não cumpra com sua palavra.

"O que provavelmente o Irã vai fazer, como tem feito em outras ocasiões, é prometer que vai fazer isso, aquilo, e tudo. Mas na prática não fará nada, irá ganhar tempo e empurrar com a barriga, como eles têm feito", afirma.

Lula, que iniciou na última quinta-feira um giro internacional, chega ao Irã após passar pela Rússia e pelo Catar, em meio a uma grande expectativa da comunidade internacional, já que o presidente defende um diálogo com o país islâmico, enquanto a maioria dos demais líderes acredita que o único meio de deter o programa nuclear iraniano é impondo sanções.

Nesse cenário, o brasileiro deverá, então, tentar fazer com que Ahmadinejad aceite que o urânio para o programa nuclear seja enriquecido fora do território nacional. Diante disso, Lampreia alerta que, frente a um possível "fracasso", são grandes as chances da tensão aumentar, além da imagem de Lula ser danificada. A atitude das "potências ocidentais e, inclusive, do Conselho de Segurança [das Nações Unidas, ndr.]" se tornará "muito mais negativa", levando a "um resultado de sanções na ONU ou nacionais", adverte.

"O Congresso norte-americano já está discutindo uma relação interna de sanções muito fortes contra o Irã e eventualmente isso pode até respingar sobre o Brasil, sobre empresas brasileiras que têm negócios com o Irã, como a Petrobras", continua Lampreia.

Por outro lado, o diplomata diz não acreditar que a postura do Brasil em relação ao Irã tenha objetivos militares e ou que interfira no caráter pacífico do programa nuclear brasileiro, como alguns rumores sugeriram.

"Isso é uma das consequências negativas dessa jogada do Irã. Porque acaba criando esse tipo de dúvida", observa o ex-ministro, defendendo que, "de modo geral, nosso programa é um programa tranquilo, pacífico. Creio que ninguém tem dúvida disso".

Lampreia reitera ainda que a postura de Lula não passa de "um jogo para o público interno". "É dizer ao eleitorado e aos seus partidários que ele aceitou uma missão muito difícil e que foi lá e fez o possível em um assunto que tem a ver com a paz e a segurança mundial".

Contudo, o diplomata diz que Lula não tem interesses em projeção pessoal. O rumor de que ele gostaria de ser secretário-geral da ONU, por exemplo, "não tem fundamento", afirma.

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