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15/05/2010 - 17h46

Especialista israelense diz que fracasso de Lula pode acelerar sanções contra Irã

ANSA
WASHINGTON, 15 MAI (ANSA) - Um fracasso na mediação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva quanto ao programa nuclear iraniano pode causar o endurecimento das potências ocidentais contra o país de Mahmoud Ahmadinejad, adverte o israelense Raanan Rein, especialista em questões da América Latina e Oriente Médio.

O acadêmico -- que dirige o centro de estudos regionais e internacionais S. Daniel Abraham, da Universidade de Telaviv -- ressalva, no entanto, que a visita que o brasileiro inicia hoje a Teerã é de grande importância e merece ser celebrada. Ele se encontrará com Ahmadinejad amanhã pela manhã, horário local.

"A ênfase que Lula põe na necessidade de dialogar com qualquer líder, com qualquer inimigo, real ou imaginário, me parece muito importante", explica em entrevista à ANSA Rein, que está de passagem por Washington.

Países como os Estados Unidos suspeitam que o governo árabe pretenda construir uma bomba atômica, acusação refutada por Teerã. Em consequência, pressionam a Organização das Nações Unidas (ONU) para que imponha sanções contra o Irã.

A saída proposta pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) é que 70% do estoque de urânio iraniano seja enriquecido em outro local. O Brasil tenta mediar esse diálogo, sugerindo a Turquia como território para a alteração do combustível nuclear.

"O problema é que se [Lula] fracassa neste encontro com Ahmadinejad -- e me parece que será difícil que consiga convencer o líder iraniano a mudar sua política --, então vai deixar aberta a porta para impor sanções sobre o Irã", completa Rein.

Segundo o especialista israelense, "os líderes dos Estados Unidos, Grã-Bretanha, Alemanha, França, vão dizer 'se Lula não conseguiu convencer o presidente iraniano, então não tem jeito, e é preciso seguir adiante com as sanções'".

Para Rein, esta questão é "muito complicada", porque não está claro se as medidas "serão úteis para mudar a posição iraniana ou, como acontece frequentemente, conseguirão o contrário: aumentar as tensões entre o Irã e a comunidade de nações".

De qualquer forma, o acadêmico da Universidade de Telaviv destaca que a visita de Lula pode servir aos esforços brasileiros para ganhar um lugar de visibilidade no cenário diplomático internacional.

"Nem todos entendem o peso econômico e político que tem o Brasil nas Américas", explica ele, afirmando que existe uma lacuna entre esta importância regional e a "importância limitada no cenário internacional". "Lula tenta fechar essa brecha", aponta.

Rein comenta ainda que é "difícil" para os Estados Unidos ver um líder latino-americano, qualquer que seja, "tentando ter um papel central na diplomacia mundial". "Escutam-se muitas críticas sobre a suposta ingenuidade de Lula, como se sabedoria política estivesse somente em Washington, e não também nas capitais da América Latina", lamenta o israelense.

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