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25/05/2010 - 10h46

Bispos italianos dizem que 100 casos de abuso foram revelados pela Igreja em dez anos

ANSA
CIDADE DO VATICANO, 25 MAI (ANSA) - Os bispos italianos afirmaram hoje que "uma centena" de casos de abusos sexuais cometidos por sacerdotes foi revelada no país europeu a partir de "procedimentos canônicos na última década".

O anúncio foi feito à imprensa pelo secretário-geral da Conferência Episcopal Italiana (CEI), Dom Mariano Crociata, durante a 61ª Assembleia Geral da entidade, realizada no Vaticano entre os dias 24 e 28 de maio.

Este é "um dado que indica o quadro geral da situação", declarou o religioso, recordando que "mesmo um só caso é sempre demais".

Durante a conversa com jornalistas, Crociata assinalou que não há necessidade de criar "alguma comissão especial" para analisar os episódios de pedofilia no clero registrados na Itália, assim como fez a Conferência Episcopal Alemã (DBK, na sigla em alemão).

"As indicações do papa [Bento XVI] aos católicos irlandeses e as linhas mestres da Congregação para a Doutrina da Fé contêm todos os elementos necessários para continuar a confrontar os casos que se apresentam", rebateu o líder dos bispos italianos, citando a carta na qual o Pontífice comenta abusos ocorridos na Irlanda.

O secretário-geral da CEI disse que a congregação, do ponto de vista canônico, e as autoridades competentes, em âmbito civil, "têm nos responsáveis pela vida da Igreja toda a colaboração possível para alcançar a verdade dos fatos". Apesar disso, ressaltou que "a normativa italiana não prevê a obrigação da denúncia".

"Evidentemente isto não exclui, mas requer e prevê por nossa específica iniciativa, que haja toda a colaboração e cooperação para tornar possível o acerto dos fatos, encorajando as denúncias da parte de quem tem conhecimento e de quem sofreu eventuais abusos", declarou ele.

Crociata reconheceu "a absoluta gravidade e a dramaticidade do problema" da pedofilia na Igreja, mas garantiu que as denúncias não estão provocando quedas nas inscrições em escolas católicas ou desafeição dos fieis, e disse que esta é uma ocasião para "um salto de qualidade".

"A Igreja está ferida, depois das vítimas e com as vítimas, porque isto distorce o que a totalidade dos crentes, responsáveis e educadores, apesar de algumas exceções, faz a cada dia de maneira positiva, construtiva, e às vezes heroica", apontou.

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