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26/05/2010 - 10h22

(Entrevista) Colômbia-Eleições: Governista elogia Brasil, mas defende soberania

ANSA
Por VITOR LOUREIRO SION

SÃO PAULO, 26 MAI (ANSA) - A poucos dias das eleições presidenciais colombianas, marcadas para o próximo domingo, o candidato governista, Juan Manuel Santos, destaca a importância do Brasil para a integração regional, mas vê com cautela uma nova participação do país nas negociações com as organizações guerrilheiras.

"O Brasil é um país chave nos processos de integração na América Latina, mas, no momento, não há nenhuma negociação com as Farc [Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia] e, assim, é impossível saber o papel que poderia exercer", analisou Santos, em entrevista à ANSA.

Em março, a Força Aérea Brasileira (FAB) forneceu helicópteros e a tripulação necessária para o resgate de dois reféns da guerrilha. Além disso, no início de 2009, outra ação semelhante também contou com o apoio logístico brasileiro.

No entanto, o governo do presidente Álvaro Uribe resiste em aceitar um "acordo humanitário" com as Farc, que pedem a libertação de seus membros detidos em troca das 48 pessoas que ainda mantêm sob seu poder. Sem nenhuma negociação desse tipo em andamento, militares e guerrilheiros continuam protagonizando conflitos no país, como o da última segunda-feira, quando ao menos nove funcionários da Marinha foram mortos.

Santos, como ex-ministro da Defesa de Uribe e representante do Partido Social da Unidade Nacional, foi o maior defensor das atitudes governistas entre os nove postulantes presidenciais. "Temos sempre que respeitar o que é definido pelo governo colombiano para garantir nossa soberania", indicou o candidato à ANSA.

Além disso, durante um debate televisivo, o ex-ministro da Defesa chegou a se dizer orgulhoso do ataque a um acampamento das Farc em território equatoriano, em março de 2008, que gerou o rompimento dos laços diplomáticos.

Na entrevista, porém, o candidato salientou a existência de uma agenda comum entre Quito e Bogotá, que "permite avançar na normalização plena dessa relação tão importante para ambos os povos".

A garantia da manutenção das atuais políticas de segurança, contudo, não deve ser suficiente para uma vitória no primeiro turno e pesquisas apontam que a violência deixou de ser a principal prioridade dos colombianos frente ao desemprego e à corrupção.

Relações comerciais com o Brasil

Além de destacar a importância brasileira em processos de integração regional, Santos também valorizou o intercâmbio econômico entre os dois países.

"O Brasil é um sócio estratégico para Colômbia. Além de dividir uma extensa fronteira comum, houve um crescimento importante de investimentos brasileiros na Colômbia", mas "devemos equilibrar a balança comercial entre os dois países", declarou à ANSA.

Dados oficiais divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior comprovam a análise de Santos. Em 2008, ano em que o comércio binacional atingiu o seu ápice, o Brasil teve superávit de R$ 1,46 bilhão, valor superior aos R$ 829 milhões que representam as importações colombianas pelo país.

Apesar do intercâmbio entre as duas nações ter sofrido queda de 24% no ano passado, os governos criaram a Comissão Bilateral Brasil-Colômbia para "aprofundar" e "consolidar" os laços, além de discutir temas como os "biocombustíveis" e o "desenvolvimento sustentável da Amazônia".

No último levantamento divulgado antes do pleito de domingo, Santos tinha 34% das preferências contra 32% do opositor Antanas Mockus, representante do Partido Verde e que foi prefeito da capital Bogotá por duas oportunidades.

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