UOL Notícias Notícias
 

26/05/2010 - 11h48

Patriarcado de Moscou diz que visita do Papa à Ucrânia poderia prejudicar relações

ANSA
MOSCOU E CIDADE DO VATICANO, 26 MAI (ANSA) - O Patriarcado Ortodoxo de Moscou declarou considerar que uma possível visita do papa Bento XVI à Ucrânia em 2012 não favoreceria o desenvolvimento do relacionamento e da aproximação entre as duas igrejas.

"As celebrações do 600º aniversário da transferência da capital dos metropolitas católicos de Galich [na Rússia] a Lviv [na Ucrânia] não é a melhor ocasião para a visita do Pontífice nos confins do território canônico da Igreja Ortodoxa Russa", declarou o secretário do Departamento de Relações Exteriores do patriarcado, Dmitri Sizonenko.

Ontem, o bispo coadjutor de Lviv dos latinos, Dom Mieczyslaw Mokrzytski, anunciou que Bento XVI recebera o convite de ir à Ucrânia em 2012 em ocasião das comemorações e o tinha aceitado, restando somente a definição da data da viagem.

Em entrevista à agência Interfax, Sizonenko assinalou que "o Patriarcado de Moscou, por ora, não recebeu informações neste sentido do Vaticano" e pretende "ilustrar seu julgamento só depois que tal visita for anunciada oficialmente pela sala de imprensa da Santa Sé".

Além dos conflitos políticos da região -- a Ucrânia é uma ex-colônia soviética e tenta se afastar do domínio russo buscando a aproximação com a União Europeia e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) --, as igrejas locais também mantêm divergências.

A Igreja ucraniana é uniata (católica de rito oriental) e, portanto, reconhece o primado do Papa, ao contrário da Ortodoxa Russa. Durante a ditadura de Joseph Stalin na União Soviética (1924-1953), a instituição religiosa da Ucrânia foi espoliada e só voltou a se tornar legal no governo de Mikhail Gorbatchov (1985-1989).

O representante da Igreja Ortodoxa Russa recordou que as relações com o Vaticano "melhoraram substancialmente" graças a uma "percepção cada vez mais clara do fato de que hoje ortodoxos e católicos não são rivais, mas aliados ao defender a visão tradicionalmente cristã dos problemas sociais e éticos da contemporaneidade".

"Um evidente progresso no diálogo ortodoxo-católico não elimina, todavia, o problema agudo da situação não resolvida nas regiões ocidentais da Ucrânia, que permanece o momento mais doloroso de nosso relacionamento", completou o russo.

As relações com os ortodoxos constituem um dos compromissos da Santa Sé, que procura, entre outros, desenvolver positivamente os laços com o Patriarcado de Moscou. Uma das expectativas gira em torno de um possível encontro entre Bento XVI e o Patriarca Cirilo, o que seria um "momento histórico".

Ao final da audiência geral desta quarta-feira, no Vaticano, o titular da Arquidiocese de Mãe de Deus em Moscou, Dom Paolo Pezzi, confirmou ao Pontífice que o relacionamento entre a Igreja Católica e a Ortodoxa Russa está dando "passos adiante".

"Com os ortodoxos há uma nova simpatia e a nível moscovita estamos constatando os progressos que se registram nos níveis máximos, como confirmou nos últimos dias a visita a Roma do [chefe do Departamento de Relações Exteriores do Patriarcado Ortodoxo de Moscou] Metropolita Hilarion para o concerto oferecido ao Papa pelo Patriarca Cirilo", ressaltou Pezzi.

Segundo o jornal vaticano L'Osservatore Romano, o arcebispo falou também sobre uma possível "pastoral familiar comum, concentrada em alguns pontos chave que especificamos juntos".

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    11h00

    -0,15
    3,261
    Outras moedas
  • Bovespa

    11h05

    1,09
    63.343,15
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host