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27/05/2010 - 11h31

(Entrevista) Colômbia-Eleições: Opositor defende criação de acordos militares regionais

ANSA
Por VITOR LOUREIRO SION

SÃO PAULO, 27 MAI (ANSA) - O principal candidato opositor às eleições presidenciais colombianas, o ex-prefeito de Bogotá Antanas Mockus, defende a elaboração de acordos militares em "blocos" de países e faz críticas indiretas ao presidente Álvaro Uribe.

"Os acordos militares não constituem um problema em hipótese alguma, eles nos levam à cooperação e à interdependência, aproximando política e diplomaticamente os países. O ideal seria, inclusive, que esses acordos fossem realizados em blocos", indica, em entrevista à ANSA.

Em outubro de 2009, Bogotá firmou um tratado com os Estados Unidos que permite o envio de efetivos norte-americanos a bases militares colombianas. Posteriormente, em abril passado, foi a vez do Brasil assinar um acordo militar com Washington. No entanto, cada um deles teve repercussões distintas.

Enquanto o pacto firmado pela chancelaria brasileira não sofreu quaisquer críticas dos demais países, diversos presidentes sul-americanos reclamaram que o acordo consolidado pela Colômbia acarretava na perda de soberania da região.

De acordo com o ex-prefeito de Bogotá, essa diferença ocorreu devido "às maiores discussões" pelas quais o documento do Brasil foi submetido. Uma semana após consolidar o pacto, Brasília enviou o seu conteúdo para ser analisado pela União das Nações Sul-Americanas (Unasul), atitude que foi elogiada, por exemplo, pelo governo do Equador.

Relações Internacionais colombianas Dessa maneira, o governo de Uribe aprofundou ainda mais as divergências que mantém com outros países, como Equador e Venezuela, com os quais as relações diplomáticas estão rompidas e congeladas, respectivamente.

Além disso, a Colômbia também desagradou a Bolívia, um de seus parceiros da Comunidade Andina (CAN), há uma semana, quando, assim como o Peru, assinou acordos com a União Européia, com o objetivo de estabelecer o livre comércio.

O presidente boliviano, Evo Morales, lamentou a decisão por entender que os países da CAN, da qual também faz parte o Equador, poderiam obter maiores benefícios caso negociassem conjuntamente.

Questionado pela ANSA sobre o futuro da política externa do país, um dos principais assuntos da campanha eleitoral, Mockus diz que, se eleito, "as relações internacionais da Colômbia não estarão embasadas no caráter ou no capricho de uma só pessoa e serão submetidas a uma diplomacia profissional, capaz de identificar e promover interesses comuns com outras nações".

Outra intenção de Mockus, representante do Partido Verde, caso chegue à presidência colombiana, é "intensificar" as relações com o Brasil, "buscando maior apoio em temas como educação, ciência e tecnologia".

O candidato considera que também seria positivo o intercâmbio de "experiências" até mesmo "no controle e monitoramento da violência", uma das principais preocupações da população colombiana.

Durante a campanha, Mockus garantiu que dará continuidade à política de segurança de Uribe e, assim, minimizou a principal bandeira do seu maior adversário, o governista Juan Manuel Santos. Os dois estão tecnicamente empatados na liderança das pesquisas de intenção de voto.

Cerca de 30 milhões de colombianos estão habilitados para participar do pleito do próximo domingo.

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